Aprosoja indica queda de 30% sobre o PIB do agronegócio de Mato Grosso
24 de outubro de 2008

O turbilhão da crise no sistema financeiro mundial, aliado à escassez de crédito bancário, endividamento agrícola e queda dos preços das commodities agrícolas nas bolsas internacionais, poderá gerar uma perda de R$ 3 bilhões no Produto Interno Produto (PIB) do agronegócio mato-grossense em 2009. Se as cifras se confirmarem, o impacto será de 30% sobre o PIB do agronegócio estadual, estimado em R$ 10 bilhões. A informação é do Diário de Cuiabá.

A previsão é da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), que aponta o desaquecimento da economia e a redução no volume de investimentos e de empregos como efeitos imediatos da ‘bolha’ imobiliária norte-americana eclodida há pouco mais de um mês.

Só com a soja a perda poderá chegar a R$ 2 bilhões no próximo ano, por conta da redução da área plantada e da menor aplicação de tecnologia na lavoura.

“Se considerarmos outras commodities como algodão e milho, poderemos chegar a R$ 3 bilhões, o que representa um recuo de 30% em relação ao PIB total estimado do agronegócio, que é de R$ 10 bilhões”, afirma o presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira.

Segundo ele, a situação é “tenebrosa” e os produtores não vêem luz no fim do túnel. “O governo [federal] deve ser rápido e buscar uma solução emergencial para minimizar os efeitos da crise e evitar o pior”, afirmou ele.

O Diário tentou ontem sem sucesso localizar o secretário de Estado de Fazenda, Éder de Moraes Dias, para falar sobre os números da Aprosoja/MT e seu impacto para a economia de Mato Grosso.

Uma fonte da área econômica do governo estadual, entretanto, disse não acreditar que a queda do PIB agrícola atinja o montante de R$ 3 bilhões previsto pelos produtores, o que representaria uma perda de 8% do PIB total de 2005 (R$ 37,46 bilhões), de acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Ainda é cedo para falarmos em números de perdas que teremos a partir de 2009, caso a crise não seja controlada”, disse a fonte.

“Precisamos aguardar mais os resultados das ações governamentais na Europa e nos Estamos Unidos e ver como vamos fechar o ano. Acho que o pânico e a alta volatilidade que tomaram conta do mercado nas últimas semanas, dificultam neste momento qualquer análise para 2009”, frisou.

Para o professor e especialista em Comércio Exterior, economista Vitor Galesso, houve “certo exagero” dos produtores em relação ao tamanho das perdas no PIB do agronegócio, como reflexo da crise atual.

“Acho que a Aprosoja/MT exagerou no cálculo, embora também acredite que haverá uma redução no PIB agrícola”, disse, apostando em uma queda entre 5% e 8% em 2009, o que representaria uma redução de até R$ 800 milhões.

“Acredito que a perda será inevitável diante da gravidade da crise que assola o mundo inteiro, mas destacamos a recuperação cambial como um fator positivo para as exportações, embora não esteja atrelada à crise”, frisa o economista.

Ele aposta que “havendo a persistência da falta de crédito no mercado, o governo federal vai dar o socorro necessário” para minimizar o sofrimento do setor produtivo. “A verdade é que não sabemos ainda a extensão desta crise. Precisamos esperar para ver com mais clareza o que poderá vir de estrago no próximo ano”.

Galesso disse não acreditar que, mesmo com a redução do PIB do agronegócio, haja comprometimento da máquina pública.

“Poderá, sim, haver uma redução nos níveis de investimentos e crescimento”, disse, lembrando que se o governo esperava crescer entre 8% e 9% em 2009 – projeção feita ante da crise mundial – agora terá que rever esta meta possivelmente para taxas de 2% a 3%.

“Sem dúvida, a economia vai crescer menos e o consumo também cairá, o mesmo devendo acontecer com a taxa de emprego”, avalia o especialista.

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