Céleres vê milho como alternativa para etanol no Brasil
20 de março de 2012

Consultoria aponta grão como boa opção em momento de incertezas na produção de cana-de–açúcar.

Com queda na safra passada, o ano começa com incertezas para a cana-de-açúcar, e o milho pode ser uma boa opção para produzir etanol, em algumas regiões do Brasil e diminuir as tarifas do combustível nas bombas para o consumidor final. O país ainda não está definido em relação à política do etanol, mas segundo análise da consultoria Céleres, o milho deve ser a mais nova aposta do setor, já que está em um bom momento, com produções recordes e excedentes que poderiam facilmente ser utilizados para esse fim.
Segundo Ricardo Giannini, sócio-diretor da Céleres, o milho tem algumas vantagens em relação à cana-de-açúcar. A primeira se dá no armazenamento. “Enquanto a cana deve ser processada em curto tempo, se tiver em condições adequadas, o milho pode ficar armazenado por meses”, diz. Ele explica que o investimento em processamento de milho para produção de etanol é cerca de 60% do custo do investimento por litro de uma usina de cana-de-açúcar.

“É claro que o processo comercial de obtenção de etanol através da cana-de-açúcar é mais eficaz e demanda menor área de plantio. Mas, em um momento incerto como o atual, o uso do milho para produção de etanol é sim uma boa oportunidade”, acredita Giannini.

Além de beneficiar a produção de combustível, a utilização do milho para o etanol ajudará a solucionar outros problemas da cultura. De acordo com Alysson Paolinelli, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), o Brasil tem dificuldades logísticas de escoamento do produto e, por isso, muitas vezes, o milho acaba sendo leiloado e os preços sofrem variações. “Temos fronteiras agrícolas com dificuldades para levar seus produtos aos portos e para outras regiões. É o caso do da região Centro-Oeste, por exemplo, e também de alguns estados do Norte e Nordeste do país”, comenta.

Para ele, o uso de tecnologias agrícolas impulsionou esse crescimento na produção de milho com muita rapidez e, por isso, o país não estava preparado para escoar todo o produto. “Estamos falando em uma nova utilidade para o milho produzido no Brasil. Isso não significa que o etanol de milho será a principal fonte, mas que o grão ganhará outra utilidade e, por isso, não ficará mais parado os armazéns”, completa Paolinelli.

Fonte: Globo Rural

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