Fontes alternativas devem crescer 160 vezes até 2050
23 de outubro de 2008

Segundo dados do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o fenômeno do aquecimento global tem enorme potencial para a produção de catástrofes naturais. Um aquecimento global de 0,6º C tem o poder de provocar o branqueamento de corais e perda de gelo na Antártida Ocidental. Com 0,7º C de aquecimento, ocorre o desaparecimento da geleira do Kilimanjaro. Com 1º C a mais, desaparecem as geleiras do Andes. Chegando a 1,6º C, o resultado é o derretimento das geleiras da Groenlândia.

"É possível mudar a trajetória rumo a essas catástrofes, mas é preciso que isso comece a ser feito o quando antes", diz Marina Grossi, diretora do CEBDS. Ela acrescenta que um importante instrumento para viabilizar essa mudança, no Brasil, será a busca por maior eficiência energética.

Estudo realizado pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), entidade mundial da qual o CEBDS é associado, prevê cenários que apontam mudanças de curso importantes, com reflexos positivos no processo de aquecimento global, nos cinco segmentos considerados grandes consumidores de energia: geração de energia, indústria e manufatura, transporte e habitação.

De acordo com o estudo, 40% das emissões de CO2, um dos gases que provocam o efeito estufa, provêm da geração de energia e calor a partir da queima de combustíveis fósseis. A expectativa é de que até 2025 deverá haver um crescimento de 30% na geração nuclear - que não provoca emissões de poluentes - e que 6% da geração de energia seja proporcionada por fontes renováveis.

Até 2050, o número de usinas termelétricas a gás natural - cujas emissões são inferiores às proporcionadas por outros combustíveis fósseis - e a participação das usinas nucleares terá sido triplicada, ao passo que a quantidade de hidrelétricas praticamente duplicará. A presença de fontes alternativas nas matrizes energéticas deverá crescer 160 vezes até lá.

O setor de indústria e manufatura, responsável por 32% do consumo de energia, deverá aumentar significativamente a sua demanda por insumos energéticos em função do contínuo crescimento econômico e populacional. Segundo o estudo, será necessário que ocorra, até 2050, uma drástica mudança da matriz energética desse setor para a eletricidade e biomassa a fim de diminuir o impacto no aquecimento global.

Em relação à área de transportes, o estudo prevê que a frota mundial de veículos, que atualmente é de 800 milhões de unidades, chegará a 2 bilhões até 2050. Até 2025, algumas mudanças já estarão sendo processadas, como a introdução de veículos de alta eficiência energética (híbridos e alta tecnologias diesel) e veículos a células de hidrogênio, que apresentam emissão zero (células de hidrogênio). Além disso, a expectativa é de que 6% do total de combustíveis deverão ser produzidos a partir da biomassa.

Esse processo deverá prosseguir até 2050, com o aumento da frota de veículos de alta eficiência à base de hidrogênio e da presença de combustíveis à base de biomassa. Também se prevê o aumento do transporte de massa via ferrovia e combustíveis e o desenvolvimento de aviões mais eficientes.

Em relação à habitação, segmento que representa 40% do consumo de energia e 35% das emissões de carbono do mundo, a expectativa é de que cada vez mais sejam adotadas nas construções medidas de eficiência energética e fontes alternativas como energia solar, geotérmica e célula a combustível.

Cyro Bocuzzi, diretor-executivo da empresa de consultoria Andrade&Canellas, lembra que o planejamento energético de longo prazo no Brasil já inclui medidas de eficiência energética entre as iniciativas que comporão a matriz elétrica até 2030. "O Plano 2030, como é conhecido, já inclui uma participação de 10% da eficiência energética", diz ele. "Mas ninguém definiu ainda como isso será feito."

Fonte: Valor Econômico

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