Soja: menos adubo e mais grãos
22 de outubro de 2008

Às vésperas do início da semeadura da safra de verão de soja, ainda dá tempo de o produtor adotar uma prática simples e barata que traz ganhos de produtividade à lavoura: a inoculação de sementes. A tecnologia, explica o pesquisador Fábio Martins Mercante, da Embrapa Agropecuária Oeste, consiste na introdução de bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico (rizóbios) nas sementes. "A inoculação funciona da mesma maneira que o tratamento de sementes com fungicidas ou com micronutrientes", afirma Mercante. Segundo ele, os ganhos de produtividade variam entre 4,5% e 8% e são comprovados tanto em plantio convencional como em sistema de plantio direto.

Além do aumento comprovado no rendimento dos grãos, a prática torna-se ainda mais atraente em época de insumos em alta - principalmente de fertilizantes -, já que o tratamento substitui, totalmente, a aplicação de adubos nitrogenados, que custam caro e são altamente poluentes. "É uma tecnologia limpa e barata que dispensa a adubação mineral nitrogenada. Hoje, para lavouras de soja, esse tipo de adubação química não é nem sequer recomendado, pois só o inoculante supre as necessidades da planta", garante.

Com o adubo custando praticamente o dobro em relação ao ano passado, a adubação com uréia dos 21 milhões de hectares cultivados na safra passada custaria US$ 6 bilhões, calcula o pesquisador da Embrapa. A uréia, junto com o sulfato de amônia, é o principal adubo nitrogenado usado nas lavouras de soja. Para se ter idéia, para uma lavoura produzir 3 mil quilos de soja/hectare seriam necessários 1 tonelada de uréia e 240 quilos de nitrogênio. Na região de Itapeva, a tonelada de uréia passou de R$ 900 para R$ 1.550 este ano. "Além disso, a substituição da adubação nitrogenada reduz, significativamente, os impactos ambientais provocados pelo efeito poluidor do nitrato, que é lixiviado no solo e que pode atingir o lençol freático", alerta.

A recomendação da pesquisa é a de que a inoculação seja feita anualmente, mesmo em lavouras cultivadas tradicionalmente com a leguminosa, e o ideal é fazer a semeadura no mesmo dia em que as sementes forem inoculadas. "Deve-se fazer a semeadura logo após o tratamento para aproveitar a bactéria em seu estágio fisiológico mais ativo, o que se converte em maior rendimento das plantas", explica.

Campo de idéias
Inoculação de sementes de soja: prática tem baixo custo e dispensa o adubo nitrogenado, caro e poluente
Recomendações:

1. Faça o tratamento das sementes com inoculante, de preferência no mesmo dia de semeadura da lavoura, para aproveitar as bactérias em seu estágio fisiológico mais ativo
2. Adquira as doses de inoculante de fornecedores idôneos e não se esqueça de verificar se o produto tem o selo e o registro do Ministério da Agricultura
3. A máquina para fazer a inoculação de sementes pode ser a mesma utilizada no tratamento de sementes com fungicidas, contra fungos de solo, e com micronutrientes
4. Se for feito tratamento com fungicidas, micronutrientes e inseticidas, deixe a inoculação por último, para evitar problemas de toxicidade nas sementes
5. Faça a inoculação das sementes todos os anos de plantio, mesmo que a lavoura seja tradicionalmente cultivada com soja

O Estado de São Paulo

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