Crescimento do PIB é a mais nova preocupação da equipe econômica
13 de abril de 2011

Como se não bastassem a inflação e o câmbio, a equipe econômica tem agora uma nova preocupação: o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011. Apesar dos esforços para conter as altas de preços por meio da elevação dos juros e de ações macroprudenciais, os técnicos avaliam que a pressão inflacionária está resistindo mais do que o esperado. Isso poderia desencadear uma nova onda de medidas restritivas que segurem ainda mais a atividade econômica no país.

Por isso, já há no governo quem acredite que o PIB crescerá abaixo de 4% este ano — percentual inferior ao teto das novas projeções do Banco Central (BC).


A previsão para o crescimento da economia está fixada em 5% no relatório de receitas e despesas do Orçamento relativo ao primeiro bimestre. Ela, porém, deve ser revista para baixo nas próximas avaliações. A autoridade monetária já admite que não espera alta acima de 4%.


O BC ainda vê incertezas oriundas do cenário externo, em especial no que diz respeito à evolução dos preços das commodities. O preço do petróleo é um dos fatores de risco salientados pela autarquia e contribui para as incertezas que pairam sobre o cenário externo.


A avaliação dos técnicos é que a inflação vai ceder, mas num prazo mais longo. Já o crescimento do PIB — que hoje gira em torno de 4% — pode acabar sofrendo ainda mais com as medidas restritivas ao consumo.


Desde o início do governo, a equipe econômica já trabalhava com um crescimento menor do PIB para este ano, mas não abaixo de 4%. A redução do ritmo da economia ajuda no controle da inflação — ao crescer menos, cai a demanda do mercado interno. E isso diminuiu o que o BC chama de “desequilíbrio entre a taxa de crescimento da demanda doméstica e a capacidade de expansão da oferta”. O desafio é encontrar a sintonia que garanta uma taxa de crescimento que não pressione os preços.


Na área cambial, o que se está tentando fazer é, pelo menos, deixar o dólar próximo de R$ 1,65. Essa taxa é vista por analistas como sendo neutra do ponto de vista inflacionário e não prejudicaria mais o setor produtivo. Por isso, o governo opta por medidas como elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o ingresso de capital estrangeiro e limitar a posição cambial vendida dos bancos. Elevar os juros não teria mais efeito sobre a inflação e atrairia mais dólares.


— As medidas do governo têm o objetivo de sustentar uma taxa que não agregue inflação e não impacte tanto a competitividade das empresas — afirma o diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme.


Octavio de Barros e Delfim apostam em IPCA de 6%


O anúncio do IPCA de 0,79% para março — elevando o acumulado dos últimos 12 meses a 6,3% — não surpreendeu os economistas Octavio de Barros (Bradesco) e Delfim Netto (ex-ministro da Fazenda), que elogiaram a atuação do BC na condução do regime de metas e avaliaram que a inflação de 2011 deve fechar em torno de 6%. Ambos também se mostraram otimistas para 2012, com a inflação voltando para o centro da meta em decorrência de medidas “macroprudenciais”.


— (O IPCA de março) está dentro do que esperávamos. Para abril, nossa projeção está entre 0,55% e 0,60%, mais para 0,60%. As pressões estão mais claras no curto prazo. O etanol e o vestuário, principalmente, afetaram o índice do mês de março. Estamos prevendo para o segundo semestre que a inflação média mensal já volte para o patamar de 0,33%, o que, anualizadamente, converge para a meta, em 2012 — disse Barros, economista-chefe do Bradesco.


Ele avalia que 2011 será um ano de um pouco mais de aperto monetário, mas de forte ajuste fiscal, o que deixará o controle inflacionário nos eixos para o próximo ano. Este ano, disse, há certo “consenso de mercado” de que a inflação ficará em torno dos 6%. E Delfim corroborou:


— (A inflação medida) É muito menos pelo excesso da demanda global do que pelo desconforto com o desarranjo, principalmente no setor de serviços, entre a oferta e a procura. Acho injustiça dizer que o governo esqueceu a inflação. Algumas medidas que estão sendo criticadas, como o IOF, todo mundo sabe que têm pouca importância. O governo as toma em legítima defesa, como todos os governos no mundo. Essa ideia de controlar tudo com juros é do passado. Acho que vai fechar dentro da meta, em 6%. Ano que vem,vai depender de corrigir algumas coisas.


— O Tombini está muito mais antenado com o que está acontecendo no mundo do que os críticos por aí. Acho que o BC está fazendo um estupendo trabalho. Esta gestão está muito determinada a atingir a meta em 2012. Certamente, aguardamos algum aperto adicional de juros e outras medidas macroprudenciais — completou Delfim. 

 

Fonte: SindTRR

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