RJ: Quissamã discute produção de etanol por bagaço de cana
21 de outubro de 2008

Quissamã/RJ

Quissamã deverá se tornar referência de pesquisa e produção do etanol de segunda geração - feito a partir do bagaço da cana-de-açúcar. Com baixo custo de produção, os estudos sobre o desenvolvimento do biocombustível no futuro Centro de Tecnologia de Engenhos de Quissamã (CTE) foram tema da reunião realizada entre o prefeito Armando Carneiro, o reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), Almy Júnior Cordeiro de Carvalho, e o presidente do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), Carlos Tadeu.

O encontro, que aconteceu na semana passada, no Rio de Janeiro, teve resultados positivos para Quissamã, vista como referência , na região Norte Fluminense, no aproveitamento da cana-de-açúcar.

- O município, que teve o primeiro Engenho Central da América Latina, consolidado no século XIX, está se candidatando a ser pioneiro na produção do etanol a partir do bagaço de cana - garantiu o prefeito, ressaltando que Quissamã vai acompanhar de perto o caminho do desenvolvimento tecnológico do setor.

Segundo o reitor da Uenf, a reunião foi importante para fortalecer a interação entre a Prefeitura, a Uenf e a Petrobras.

- Acredito que esta cooperação tende a gerar muitos frutos - disse Almy.

De acordo com o secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Geração de Renda, Haroldo Cunha Carneiro, a Petrobras se antecipou e já encomendou à Uenf duas pesquisas: a primeira para saber qual variedade de cana produz mais etanol do caldo e do bagaço; e outra para estudar a forma mais viável de manipulação do bagaço para ser utilizado na produção do biocombustível.

O apoio acadêmico parte dos estudos realizados no Centro de Ciência e Tecnologia Agropecuária (CCTA) da Uenf, que tem no professor Victor Haber Perez um dos maiores incentivadores do processo de etanol de segunda geração. Em sua opinião, a produção em Quissamã é um ponto de partida para trabalhos ainda mais importantes, como a implementação de unidades industriais na região.

- O município tem uma localização estratégica privilegiada, influenciando o Norte e o Noroeste Fluminense - ressaltou o pesquisador.

O baixo custo e o benefício para o produtor de cana são características do etanol de segunda geração.

- Mais econômico do que o produto extraído do caldo da cana, o etanol de segunda geração aproveita o bagaço e produz 80 litros do biocombustível, dobrando a produção final (160 litros) por tonelada de cana - explicou o secretário Haroldo Carneiro, apostando na produtividade e na importância do CTE neste processo de desenvolvimento.

Focado na realização de cursos, no desenvolvimento de pesquisas e na comercialização de cachaça de qualidade, açúcar mascavo e etanol, o CTE vai beneficiar a estrutura industrial que compõe o Pólo de Agro-Indústria Integrada da Cana de Quissamã.

Como parte do Pólo, que visa gerar 50 empregos na agro-indústria, 60 no campo e 110 indiretos, o CTE fortalece suas estruturas e atua no incentivo à criação de associações de produtores e no desenvolvimento de uma marca única para comercialização em conjunto.


Fonte: Governo de Rio de Janeiro

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