Produtores de soja e milho têm lucro superior a R$ 1.000 por hectare no PR
4 de março de 2011

Os produtores estão conseguindo, neste ano, duas coisas quase sempre excludentes: volume e preços. Com 20% da área já colhida no Paraná, a produtividade média da soja está em 55 sacas por hectare. Alguns produtores superam 60 sacas. Essa boa produção ocorre em um período de bons preços para os produtores. A saca de soja está a R$ 42, em média, no noroeste do Estado, 37% mais do que em igual período de 2010.

Considerando a produtividade média, o ganho dos produtores chega a R$ 2.310 por hectare, com margem de 78% em relação aos custos totais, de R$ 1.300.
Os produtores que conseguem 60 sacas por hectare têm lucro de R$ 2.520, com margem de 94%. Esse lucro, no entanto, ainda não está garantido. Muitos produtores fizeram antecipação de vendas, vendendo parte da soja a ser colhida com valores inferiores aos R$ 42 por saca. Além disso, a lavoura poderá ser afetada por problemas climáticos na colheita, uma vez que esta safra está sob o efeito do "La Niña".

A situação do milho não é diferente. A produtividade média do Paraná está em 150 sacas por hectare, com preço de R$ 23 por saca. A renda fica em R$ 3.450 por hectare. Já que os custos totais estão em R$ 1.900, os ganhos podem chegar a R$ 1.550 por hectare. Essa renda pode ser ainda maior porque alguns produtores estão obtendo até 170 sacas por hectare. O desenrolar dos conflitos nos países árabes pode, ainda, desaquecer a economia mundial. A manutenção dos preços do petróleo em patamares elevados pode desaquecer a economia mundial e segurar os preços das commodities agrícolas.

Disparada O indicador do Cepea para o algodão com pagamento em oito dias (prazo mais utilizado no mercado) atingiu R$ 4 por libra-peso ontem. Desde 24 de janeiro, os preços vêm registrando recordes. Pouco volume A baixa oferta de produto é um dos motivos da puxada dos preços, segundo o Cepea. A alta ocorre mesmo com os compradores nacionais diminuindo as aquisições nas últimas semanas. Devagar A extinção da Oncca (órgão de controle do comércio agropecuário na Argentina) provoca problemas pontuais nos embarques de carne suína para aquele país, segundo Pedro de Camargo Neto, da Abipecs (associação do setor).

Falta comando Com o fim da Oncca, licenças de importação pararam de ser emitidas. Apesar de a presidente Cristina Kirchner ter anunciado a transferência das atribuições para o Ministério da Fazenda, ainda não está claro quem terá autoridade para a emissão. Indústrias vendem menos máquinas agrícolas no ano. Apesar da boa perspectiva de renda dos produtores agrícolas neste ano, as vendas de tratores e de colheitadeiras feitas pelas indústrias às concessionárias estão em queda.

Informações do mercado indicam que as vendas do mês passado superaram as de janeiro, mas, no acumulado do primeiro bimestre, houve quedas de 20% no repasse de colheitadeiras e de 6% no de tratores. As indústrias venderam 457 colheitadeiras em fevereiro. Já as vendas de tratores somaram 4.206 unidades. Renda maior, renovação de frota e boas perspectivas na produção de grãos devem incentivar as vendas no ano.
Fonte: Folha de São Paulo

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