Rui Prado defende integração lavoura-pecuária
21 de fevereiro de 2011

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, defende a integração lavoura-pecuária e a recuperação das pastagens como fatores decisivos para a retomada do crescimento do setor. “Praticamente não se fala mais em abertura de novas áreas para a exploração agropecuária. Então, a saída é investir na recuperação das pastagens para que tenhamos terras produtivas e possamos fazer a integração com a agricultura”.

Segundo Rui Prado, poucos recursos devem ser investidos em projetos “rápidos e consistentes. É preciso otimizar a produção da carne, agregando valores e produzindo de uma forma mais rápida e mais eficiente”.

Ele entende ser necessário produzir mais alimentos por unidade de área. “Do ponto de vista econômico e ambiental, precisamos produzir mais em uma área menor. Ou seja, vivemos um processo de inversão de lógica. Antigamente, quando o pasto ficava ruim, abriam-se áreas novas. Agora, somos obrigados a produzir sem derrubar árvores”.

Para alcançar esse objetivo, na avaliação de Rui Prado, é necessário fazer a renovação das pastagens. “Antes, precisamos ajustas a política de crédito para gerar investimentos. De outra forma esta equação não será fechada”.

Um dos empecilhos, lembrou Rui, é a dificuldade de acesso aos recursos oficiais. Para ele, o avanço da agricultura em áreas de pastagens com aptidão agrícola “é benéfico” porque vai gerar mais proteínas para o suprimento animal.

Atualmente, sistemas mistos de exploração de lavoura e pecuária têm chamado a atenção pelas vantagens que apresentam em relação aos sistemas isolados de agricultura ou de pecuária. A integração lavoura-pecuária pode ser definida como a diversificação, rotação, consorciação e/ou sucessão das atividades de agricultura e de pecuária dentro da propriedade rural de forma harmônica, constituindo um mesmo sistema, de tal maneira que há benefícios para ambas.

Possibilita, como uma das principais vantagens, que o solo seja explorado economicamente durante todo o ano ou, pelo menos, na maior parte dele, favorecendo o aumento na oferta de grãos, de carne e de leite a um custo mais baixo devido ao sinergismo que se cria entre a lavoura e a pastagem

Este é o principal objetivo da integração. Nesse sistema, as lavouras são utilizadas a fim de que a produção de grãos pague, pelo menos em parte, os custos da recuperação ou da reforma das pastagens. Na área da pastagem degradada, cultivam-se grãos por um, dois ou mais anos e, depois, volta-se com a pastagem, que vai aproveitar os nutrientes residuais das lavouras na produção de forragem. Após esse período, a pastagem sofre novo ciclo de degradação, devido ao esgotamento dos nutrientes que entraram no sistema via adubação das lavouras. Então, é necessário cultivar lavouras novamente na área para reposição de nutrientes.
Fonte: Diário de Cuiabá

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