Mato Grosso está preparado para enfrentar a crise
20 de outubro de 2008

Mesmo admitindo que Mato Grosso sentirá os efeitos da crise financeira mundial, “com retração de crédito para o agronegócio, menor volume dos investimentos, aumento dos custos de insumos agrícolas, queda dos preços das commodities agrícolas e redução das exportações”, o secretário de Estado de Fazenda, Éder de Moraes Dias, não perde a serenidade diante do atual cenário e garante: “Temos ferramentas e estamos preparados para enfrentar qualquer crise, venha de onde vier”.

Mas, de antemão e diante de um cenário incerto, Éder de Moraes descartou a possibilidade de redução da alíquota do óleo diesel, principal fonte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do governo. “Seria uma insanidade. Não há qualquer previsão neste sentido, pois emplacaria uma enorme perda na receita”, sentencia.

Segundo ele, o governo estadual está atento e vem acompanhando minuto a minuto a evolução da crise em todo o mundo. “A nossa equipe econômica está em alerta e procurando proteger a máquina pública, visando garantir o custeio do funcionalismo público e os investimentos prioritários do Estado”, assegura, acrescentando que a ordem no governo é uma só: “serenidade e otimismo”.

Apesar dos diversos investimentos em andamento no Estado, Éder garante que por enquanto o cenário é de que, em 2009, Mato Grosso não sofra muitos problemas em decorrência do atual momento. “Vamos conseguir atravessar esta crise com controles rigorosos, fazer o dever de casa com mais severidade, controlar os gastos e priorizar os investimentos e a folha. Acho que estamos prontos para encarar qualquer crise”.

Na avaliação do titular da Sefaz, a dimensão da crise ainda é uma incógnita e os reflexos na economia estadual só serão sentidos com maior intensidade em 2010. “Contudo, no próximo ano teremos de adotar medidas de controles internos na máquina pública ainda mais severos, bem como a iniciativa privada deverá planejar e criar ações estratégicas que diminuam os estragos iminentes”, adverte.

Éder de Moraes lembrou que os efeitos [da crise] sobre a economia brasileira podem ocorrer com a fuga de capitais, redução de investimentos produtivos, retração do crédito, redução do consumo doméstico e redução do consumo das commodities brasileiras agrícolas pelo mundo.

DOMINÓ - Na economia mato-grossense, ele acredita que haverá um ‘efeito dominó’. “Mas a situação estará sob controle”. Entre estes efeitos ele destaca a queda dos preços das commodities e a redução das exportações. “Mesmo os mais conservadores, que comercializaram suas safras com proteção de variação de moeda, estão tendo dificuldades, pois travaram o dólar num patamar entre R$ 1,80 e R$ 2,15, ou seja, quando a desvalorização do real atinge níveis fora dessas margens de trava, o exportador deve comparecer com mais garantias”.

Para Éder de Moraes, se um desaquecimento da demanda mundial se confirmar, “teremos uma redução no consumo de alimentos”, com impacto direto no nível do emprego e nas exportações. “No entanto, se fizermos bem a lição de casa, com rigidez e pulso firme na condução da política monetária, tributária e de desenvolvimento, sairemos bem dessa crise e fortalecidos perante a economia mundial”, garantiu.

SAFRA – Para Éder de Moraes, a redução prevista de 10% na safra 08/09 não terá forte impacto na arrecadação. “O impacto será assimilável, pois os produtos primários destinados à exportação – como algodão, soja e milho - são desonerados de impostos. O que ainda não temos é a dimensão do que poderá significar uma queda no consumo interno, como transportes e combustíveis, insumos deste segmento. Este, sim, poderá fazer a diferença e nos preocupa, uma vez que é o carro-chefe da nossa arrecadação”.

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