Conab estima safra recorde de grãos IBGE prevê queda
10 de fevereiro de 2011

Depois de divulgarem dezenas de pesquisas convergentes sobre as últimas safras brasileiras de GRÃOS, a COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), ligada ao Ministério da Agricultura, e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vinculado ao Ministério do Planejamento, voltaram a divergir consideravelmente. Em levantamentos divulgados ontem, a CONAB estimou uma produção recorde de 153,1 milhões de toneladas, ante as 149,4 milhões previstas em janeiro e as 149,2 milhões da temporada (2009/10).

Já o IBGE projetou que a colheita nacional ficará em 146,8 milhões de toneladas este ano, ante as 145,8 milhões estimadas em dezembro e as 149,5 milhões do ciclo anterior. Parte dessa diferença pode ser explicada pelo fato de o IBGE ainda não ter projeções novas para as safrinhas complementares e produções de inverno. Assim, enquanto o instituto manteve sua previsão de queda de 12,3% para a colheita da safrinha de milho, a CONABtrabalha com um cenário de retração de 1,1%. Outro exemplo é o feijão, cuja 3ª safra será 9,6% menor segundo o IBGE e 4% mais magra nas contas da CONAB.

Outra parte da diferença, entretanto, decorre de horizontes radicalmente distintos traçados para a colheita de soja, o carro-chefe do campo brasileiro em produção, valor e exportações. Em linha com as principais consultorias privadas brasileiras e estrangeiras, a CONABelevou sua projeção para a produção nacional para 70,1 milhões de toneladas em 2010/11, ante as 68,6 milhões estimadas em janeiro e as 68,7 milhões de 2009/10. O IBGE, em contrapartida, espera 67,6 milhões de toneladas no ciclo atual, 1,2% menos que no anterior.

A área plantada com o grão estimada pela CONAB (24,1 milhões de hectares) é 1,7% superior à apurada pelo IBGE, enquanto a produtividade aguardada pela primeira é também 1,7% maior que a estimada pelo segundo. Resultado desse cruzamento são as 2,5 milhões de toneladas a mais do balanço da CONAB. Os eventuais transtornos que uma diferença como essa pode ocasionar serão creditados ao La Niña, que para a CONAB está mais ameno que o inicialmente previsto. Ambos os órgãos informam em seus levantamentos que os trabalhos foram feitos em estreita colaboração mútua.
Fonte: Valor Econômico

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