Novo diesel deve fazer custo de transporte subir
10 de fevereiro de 2011

A partir de 2012 entram em vigor as novas normas de emissões dos veículos movidos a diesel. Conhecido como Euro 5, numa referência ao modelo usado na Europa, o programa estabelece que o combustível terá 50 ppm (partes por milhão) de enxofre. As empresas de transporte de passageiros e de carga já estão fazendo contas. No meio dos números surgem muitas dúvidas e apenas duas certezas: o ar que respiramos vai ficar mais limpo, mas o custo das passagens e dos fretes deve aumentar.

Hoje, ônibus e caminhões no Brasil rodam com 500 ppm ou até 1.800 ppm de enxofre misturado ao diesel. E essa é uma das dúvidas: que efeito esse combustível terá nos motores antigos?  Só que não basta o diesel mais limpo. Os motores Euro 5 deverão adotar o SCR (Seletive Catalitic Reduction), sistema que trata os gases no cano de descarga. Ele usa um produto químico composto de uréia, o Arla 32, que neutraliza o gás da combustão convertendo-o em nitrogênio e água. Mas representa um tanque a mais para abrigar o produto.

Sobre os custos, montadoras e Petrobras ainda não falam oficialmente. No entanto, o mercado dá como certo um aumento de 10% a 15% no preço dos caminhões e ônibus. A Petrobras está investindo mais de sete bilhões de dólares no desenvolvimento do combustível e espera, até 2013, ter uma versão ainda mais limpa: o S-10 (diesel com 10 ppm de enxofre). Só que qualidade tem custo, e fala-se num aumento da ordem de 5% em cada litro. Que poderia ser compensado pelo ganho de eficiência que os novos motores trarão. Ou seja, é certo que o consumidor vai pagar a conta.

Mas será que esse é realmente um custo ambiental? Quanto deveriam custar fretes e passagens hoje se fossem embutidos nos preço os danos causados por um combustível com 1.800 ppm de enxofre ao meio ambiente e à saúde das pessoas?  Essa conta vale para quase tudo que consumimos e que provoca impactos no planeta. Um dia ela precisa começar a ser feita.

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