Plataforma da Petrobras na Bacia de Campos paralisa operações depois de incêndio
27 de janeiro de 2011

Paulo Roberto Araújo, Emanuel Alencar e Daniela Amorim  

RIO - A plataforma Cherne 2, que produz 19 mil barris de petróleo por dia na Bacia de Campos, está com a produção paralisada desde o dia 19 de janeiro, quando um defeito numa bomba de transferência provocou um incêndio de grandes proporções. As labaredas atingiram as válvulas de segurança dos separadores de produção. O fogo começou por volta das 22h. O plano de emergência da Bacia de Campos foi acionado, mas as chamas foram debeladas meia hora depois pela brigada de incêndio da plataforma, que foi instalada, em 1983, a 120 quilômetros do litoral de Macaé.

O fogo destruiu cabos elétricos e de instrumentação da plataforma, entre outros danos. As luminárias próximas ao local do incêndio derreteram. Os barcos de socorro da Petrobras se aproximaram de Cherne 2, mas não chegaram a atuar no combate ao fogo nem houve necessidade de abandono da plataforma.

Peritos da Marinha foram acionados no dia seguinte para inspecionar Cherne 2. Eles não autorizaram a retomada da produção antes da realização de obras de recomposição do material destruído, sobretudo na parte elétrica, e dos equipamentos de segurança. Duas bombas foram avariadas e outras duas não estão funcionando até conserto do sistema elétrico.

A fogo assustou os 160 petroleiros que trabalham na plataforma, mas não chegou a ocorrer pânico. Todos seguiram para o ponto de reunião para aguardar instruções. Como não soou o alarme de abandono, eles não chegaram a entrar nas cinco baleeiras usadas em caso de abandono de embarcação. Cherne 2, fabricada no Brasil, é uma plataforma fixa e uma das mais antigas em operação na Bacia de Campos.

Sindicato dos Petroleiros diz que Petrobras demorou 20 minutos para apagar incêndio na Cherne 2

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense está pedindo autorização à Petrobras para inspecionar a plataforma. Os dirigentes sindicais já se reuniram com representantes da Petrobras, mas insistem em visitar Cherne 2.

– Vinte minutos não é pouco tempo. Queremos também checar com a empresa algumas questões que não estão claras. O portal da Marinha, que mostra em tempo real um canal de notícias da plataforma, mostrou que foi preciso acionar uma embarcação de apoio para apagar o incêndio. E esta informação não foi confirmada pela Petrobras – afirma Vitor Carvalho.

O sindicato informou que fará uma investigação para saber se o efetivo dos trabalhadores estava adequado na hora do acidente, que ocorreu no período noturno.

– Geralmente, o pessoal da manutenção é o mais sacrificado. Vamos questionar se a brigada de incêndio era adequada e se os sistemas automáticos estava funcionando corretamente – acrescentou o sindicalista.

Ainda de acordo com Carvalho, a política da companhia, de privilegiar o aumento da produção, não tem acompanhado melhorias na saúde e na segurança dos trabalhadores.

– Em função do histórico da Bacia de Campos, infelizmente não é surpresa este tipo de acidente. Estamos desde o ano passado encaminhando uma série de denúncias à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e ao Ministério Público (MP). Tentamos fazer chegar ao conhecimento público que o aumento da produção da companhia não tem sido acompanhado de esmero na área da saúde e segurança dos trabalhadores – disse Carvalho.

Pequeno porte

Segundo Ticiana Verdecana, analista do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a paralisação da plataforma Cherne 2 não tem grande relevância para a produção de petróleo do país devido ao seu porte.

— A plataforma é bem pequena. A média nacional diária é de dois milhões de barris. Uma plataforma média produz cerca de 100 mil barris por dia, e as grandes têm capacidade para produzir 180 mil barris por dia. Essa ainda utiliza um modelo antigo de produção. As plataformas novas têm outro tipo de funcionamento — completou.

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