Mato Grosso lidera na produção de biodiesel
25 de janeiro de 2011

Com 20% da produção nacional do biodiesel, Mato Grosso lidera o ranking da maior concentração de matrizes de produção no país, com 23 usinas no Estado e uma produção de 1.303.063 metros cúbicos de biodiesel este ano. Para se ter uma idéia do crescimento, em 2005 o estado tinha apenas 1 usina que produzia 6 mil m3. A maior parte dos empreendimentos está instalada em Rondonópólis, Sorriso, Cuiabá e Lucas do Rio Verde. Os investimentos do governo nas indústrias, por meio da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), têm contribuído para o fortalecimento do setor, com políticas de incentivos e projetos de logística para o escoamento da produção.

Mas o grande desafio ainda é distribuir melhor a produção envolvendo a agricultura familiar. De acordo com o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), o país não deve privilegiar rotas tecnológicas, matérias-primas e escalas de produção agrícola e agroindustrial. No entanto, a soja ainda é a oleaginosa preponderante. As principais matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel são óleo de soja, sebo, óleo de algodão e outros materiais graxos.

Lançado em 2004 com a ambição de se tornar um exemplo de inclusão social, o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) completa seis anos com 109 mil famílias incluídas, pouco mais da metade da previsão inicial. "A despeito de dados que indicam avanços, o PNPB apresenta resultados modestos quanto ao envolvimento e melhoria de vida das famílias de pequenos produtores. A proposta inicial, conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), previa a produção do combustível a partir de culturas típicas da agricultura familiar, como a mamona e o dendê", comenta o diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação no Brasil (FAO), Jacques Diouf.

O biodiesel seria misturado ao diesel em parcelas ascendentes até o patamar de 5% do composto total em 2013 - o chamado B5. Além disso, mamona e dendê são itens minoritários entre as matérias-primas do agrocombustível, bem aquém da soja e do sebo bovino - origens de 80% e 15%, respectivamente, do biodiesel no país. Atualmente, nenhuma gota de biodiesel é produzida, por exemplo, a partir da mamona, cultivada em pequena escala no país. Valorizada por outros setores da indústria (como a de lubrificantes, que paga mais pela tonelada de seu óleo), a semente da mamona não é usada para gerar energia.

As companhias de biodiesel, porém, continuam comprando mamona, ainda que somente para revenda. Com isso, beneficiam-se do Selo Combustível Social, programa federal que garante benefícios fiscais e preferência nos leilões de compra de biodiesel às empresas que comprem determinadas quantidades de matérias-primas produzidas por agricultores familiares. Mas, boas notícias também existem. O número de famílias integradas na cadeia produtiva do biodiesel, por exemplo, eleva-se desde 2009.

A nova fase do programa é resultado da entrada da Petrobras Biocombustível (PBio) no setor que hoje opera usinas de biodiesel em Minas Gerais, Bahia, Ceará e Paraná, incentivando a inclusão da agricultura familiar.
Autor: Josana Salles
Fonte: A Gazeta

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