Milho sobe em Chicago safra argentina deverá cair mais
21 de janeiro de 2011

O mercado futuro de milho voltou a se valorizar na quinta-feira na bolsa de Chicago, num cenário de temor em relação aos baixos níveis dos estoques e no dia em que foi divulgada uma nova previsão de queda para a atual safra argentina (2010/11).

No começo do pregão, as cotações futuras caíram, abrindo oportunidade para as compras por parte de consumidores do grão. Os contratos com vencimento em maio subiram 12,75 centavos de dólar e fecharam a US$ 6,64 por bushel em Chicago.

Os preços tinham perdido terreno na bolsa americana depois de alcançar o maior valor em 30 meses na quarta-feira da semana passada em decorrência das preocupações com o estoques de milho, os menores em 15 anos. O temor é que a demanda pelo milho dos Estados Unidos continuará a drenar os estoques se a Argentina, o segundo maior exportador mundial do grão, tiver uma colheita ruim por conta do calor excessivo e da seca.

Os números da Bolsa de Cereais de Buenos Aires divulgados na quinta-feira corroboraram o temor. O órgão reduziu a estimativa de produção de milho na Argentina para 19,5 milhões de toneladas em 2010/11, 850 mil toneladas a menos que o previsto semana passada para esta mesma temporada agrícola. A projeção do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a Argentina é de uma produção de 23,5 milhões de toneladas.

Segundo a bolsa, os danos causados pela seca no mês passado levaram alguns produtores a transformar as lavouras de milho em pastagem para o gado em vez de colhê-las. Contudo, as perspectivas parecem melhores depois das chuvas e com a previsão de mais chuvas na próxima semana, disse o relatório semanal da bolsa. Até o momento, 97,2% da safra de milho foram plantadas na Argentina.

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires manteve a previsão para a produção de soja em 2010/11 em 47 milhões de toneladas, bem abaixo das primeiras estimativas. O clima seco, reflexo do fenômeno La Niña, estava sendo considerado um risco para o desenvolvimento da soja e gerou temores de que a produção fosse prejudicada no país. Ainda que a produtividade tenha sido afetada em muitas áreas de produção da Argentina, a chuva chegou a tempo de evitar maiores perdas. O plantio de soja está praticamente terminado na Argentina, o terceiro maior exportador mundial do grão e maior exportador mundial de farelo e de óleo de soja.

De acordo com a bolsa, a colheita do trigo está quase completa. A projeção de produção no país foi mantida em 15 milhões de toneladas. Já a colheita de girassol acaba de ser iniciada, e a produção foi estimada em 2,7 milhões de toneladas.
Autor: Dow Jones Newswires |
Fonte: Valor Econômico

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