Apesar da alta da Petrobras, Ibovespa segue sem força no pregão
20 de janeiro de 2011

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) se esforça para deixar para trás um início de negócios negativo, mas ainda não consegue ter força para subir, mesmo com a valorização dos papéis da Petrobras.

Por volta das 12h10, o Ibovespa cedia 0,08%, para 69.999 pontos, e girava R$ 787 milhões. Na BMF, o índice futuro, com vencimento em fevereiro de 2011, apresentava leve alta de 0,02%, com o registro de 70.405 pontos.

Ontem, o Ibovespa havia recuado 1,21%, para 70.058 pontos.

Análise técnica da Itaú Corretora indica que, apesar da queda de ontem, o Ibovespa continua em tendência de alta no curto prazo, dentro de um canal de alta de médio prazo.

"Porém, para retomar a força compradora, o mercado precisa superar a resistência em 71.190 pontos, e assim voltar a apontar para a forte resistência no topo em 73.100 pontos e para o objetivo deste movimento altista, em torno de 77.250 pontos. Do lado da realização, com a queda de ontem, o Ibovespa testou um suporte em torno de 70 mil pontos e, com isso, se aproximou do importante suporte em torno de 69.650 pontos - patamar que sustenta o momento comprador do mercado no curto prazo. Caso perca este último, o mercado deverá encontrar uma região de acumulação com forte apoio em 68.400 pontos", comentaram, em relatório, Márcio Lacerda e Marcello Rossi.

Os investidores começaram os negócios mais cautelosos, analisando os dados econômicos divulgados pela China. O país mostrou um crescimento vigoroso ao fim de 2010, o que despertou mais preocupações com relação à adoção de políticas para conter a inflação no país.

A economia chinesa cresceu 10,3% em 2010, seguindo expansão de 9,2% um ano antes. Somente no quarto trimestre de 2010, perante igual intervalo do exercício anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) da China avançou 9,8%.

A produção industrial na China ainda acelerou seu ritmo de crescimento, passando de um avanço de 11%, em 2009, para 15,7%, um ano depois. Em dezembro de 2010, houve expansão de 13,5% na produção chinesa em relação ao mesmo mês do calendário anterior.

As vendas no varejo chinês, por sua vez, aumentaram 18,4% em 2010, totalizando 15,455 trilhões de yuans (US$ 2,34 trilhões). Somente no mês final de 2010, a expansão das vendas foi de 19,1%.

No campo inflacionário, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) da China subiu 3,3% em 2010. Apenas em dezembro do ano passado, o índice teve elevação de 4,6% no confronto anual e de 0,5% na base mensal.

Já o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) da China aumentou 5,5% em 2010. A inflação no atacado em dezembro foi de 5,9% na comparação com o mesmo mês de 2009, desacelerando ante novembro, quando estava em 6,1%.

Nos Estados Unidos, a manhã contou com dados do mercado de trabalho, que foram melhores que o esperado. Os novos pedidos de seguro-desemprego no país caíram em 37 mil na semana passada, perante a retrasada, para 404 mil.

Os investidores ainda aguardam dados de estoques de petróleo, vendas de imóveis existentes e a pesquisa de Indicadores Antecedentes da economia, que poderão dar novo rumo aos negócios mundiais.

No quadro local, as chamadas "blue chips" operavam em sentidos opostos. Há pouco, as ações Vale PNA cediam 0,32%, a R$ 52,51, enquanto os papéis Petrobras PN subiam 0,25%, para R$ 27,37.

As principais altas do Ibovespa pertenciam aos papéis Souza Cruz ON (1,93%, a R$ 89,19), Brasil Foods ON (1,73%, a R$ 29,35) e Vivo PN (1,65%, a R$ 56,52).

As quedas mais significativas vinham das ações Banco do Brasil ON (-1,35%, a R$ 30,68), LLX Logística ON (-1,81%, a R$ 4,32) e Embraer ON (-1,83%, a R$ 13,34).

Ainda no setor financeiro, os papéis Itaú Unibanco PN recuavam 0,76%, para R$ 37,84, Bradesco PN caía 0,86%, a R$ 32,16, e as units do Santander Brasil tinham baixa de 1,22%, a R$ 21,05.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou ontem a elevação da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano, em decisão já esperada pelo mercado.

O freio do BC ao crédito levou o Banco do Brasil (BB) a retirar o seu foco do crédito a pessoas físicas e eleger os investimentos como carro-chefe em 2011. Aldemir Bendine, presidente do BB mantido pela presidente Dilma Rousseff, informou ter reduzido de 25% para 22% a projeção para o aumento do crédito às famílias.

Fora do Ibovespa, destaque para os papéis ON da Mills, que subiam 3,38%, para R$ 20,47. A empresa anunciou ontem a compra de 25% do capital de sua concorrente Rohr por R$ 90 milhões. A Rohr é especializada em engenharia de acesso e no fornecimento de soluções - estruturas tubulares - para construção civil. A empresa atua nos setores de construção pesada e infraestrutura, construção predial, manutenção industrial e eventos.

Fluxo externo

Ainda no mercado brasileiro, o fluxo estrangeiro na Bovespa está positivo em R$ 1,895 bilhão no acumulado de 2011, até o dia 18 de janeiro, resultado de compras no valor de R$ 27,533 bilhões e de vendas de R$ 25,638 bilhões.

Apenas na teça-feira passada, quando o Ibovespa subiu 0,44%, para 70.919 pontos, o estrangeiro mostrou saída líquida de capital do mercado, da ordem de R$ 148,8 milhões.

(Beatriz Cutait | Valor Online)

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