Segmento do agronegócio mostra otimismo
8 de dezembro de 2010

Após um ano de mudanças no setor produtivo primário, expectativas animam produtores com a valorização das commodities. De acordo com projeções da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) a safra 2010/2011 das principais culturas deve ser recorde e a arroba deverá apresentar em contínua ascensão ao longo de 2011.

Porém, os bons preços cravados de meados de 2010 até agora não foram repassados para os produtores, visto que a valorização se deu após as primeiras vendas feitas por produtores.

Para a soja, maior volume produzido no Estado, a melhor rentabilidade do grão causa entusiasmo entre os produtores. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Algodão de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, diz que por enquanto o cenário se mostra positivo para 2011, com bom desempenho da produção no campo e sinalização de bons preços.

Silveira, porém, alerta para o desempenho do cenário internacional, que pode afetar o mercado interno. "O momento é muito positivo, mas no agronegócio não existem prognósticos. Há toda uma política internacional que nos influencia".

O presidente da Famato, Rui Prado, diz que fatores climáticos também interferem e que chuvas no período de colheita podem significar perdas de até 10%. Por enquanto, a estimativa é que a produção chegue a 19,05 milhões de toneladas, aumento de 3% com relação a safra anterior.

Para o milho, Prado diz que os mato-grossenses são exemplo ao atingirem a produção de 8,4 milhões (t) na segunda safra, mas que é preciso investir na verticalização da produção e assim agregar valor.

O algodão é a revelação do momento. Com uma valorização de 105% de janeiro a dezembro de 2010, a fibra produzida não é capaz de suprir as necessidades do mercado nacional e internacional.

"Os produtores se animaram com a nova perspectiva e vão investir na plantação. Nesta última colheita, a safrinha foi mais produtiva do que a primeira safra e alguns produtores arrendaram terras com plantio de soja para cultivo do algodão".

Rui Prado reforça, porém, que esta valorização ocorreu, em grande parte, no momento em que a commodity não estava mais com o produtor ou não tinha animal para comercializar, no caso dos pecuaristas.

Aliás, com relação a pecuária, desde 2005 os pecuaristas não tinham rentabilidade na produção e somente em agosto deste ano a situação começou a ser revertida e devido à pouca oferta de boi, que deve se repetir no próximo ano.
 
Autor: Laís Costa Marques
Fonte: A Gazeta

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