PIB estadual avança 128%
18 de novembro de 2010

O Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso fechou 2008 com R$ 53,023 bilhões resultantes da soma de todas as riquezas. O valor é 128% superior ao valor de 1995 e o crescimento dá ao Estado a primeira colocação entre as unidades da federação, superando até mesmo a média nacional, de 47%. Com relação ao período entre 2002 e 2008, o desempenho mato-grossense perde apenas para o Tocantins, Estado mais novo do país e que por isso acumula expressivos índices de crescimento. Os números são das Contas Regionais, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (18).

Ao longo de 14 anos, Mato Grosso disparou em R$ 30 bilhões as riquezas produzidas, com uma média de R$ 2,2 bilhões de aumento por ano, sendo que em 1995 o PIB era de R$ 23,214 bilhões. Em 2004, este número chegou a R$ 36,961 bilhões anuais e a partir de então sofreu uma retração decorrente de uma crise no agronegócio. Em 2005 e 2006 a produção agrícola ficou comprometida por perdas influenciadas por fatores climáticos e em 2007 o setor iniciou uma recuperação, alcançando R$ 42,687 bilhões. O ano de 2008, quando ultrapassa a casa dos R$ 50 bilhões, é considerado um dos melhores da trajetória recente de exportações e desempenho dos setores produtivos primários do Estado. O desenvolvimento econômico local é apontado por economistas como um fenômeno comum, visto que apesar de não ser novo, a economia do Estado é recente e surge de uma explosão do setor do agronegócio.

O economista Vítor Galesso explica que a economia é jovem e seu desenvolvimento sofreu forte influência da mecanização do setor agrícola, de investimentos externos e do fortalecimento dos setores como o comercial e de prestação de serviços.

Para Fabiano Fratta, economista crítico do modelo de produção adotado pelo Estado, o agronegócio realmente foi o principal motivo da explosão do PIB, porém, isso não deve ser visto como uma representação da realidade. "O produção de riqueza é grande no Estado, mas sua distribuição não é real. Somos uma população pequena e grande parte do PIB é gerado e utilizado por uma parcela mínima dos 3 milhões de habitantes, proprietária de grandes áreas produtivas".

Vítor Galesso explica que o PIB per capita do Estado, de R$ 17,927 mil, conforme o IBGE, é importante porque expressa que há riquezas, porém não é representativo porque não revela o modo como está dividido. "Este valor não corresponde à realidade da população. Se por um lado ele mostra o que é produzido, infelizmente não demonstra por quem e nem como ele distribuído".

O PIB per capita em Mato Grosso é 12% superior à média nacional de R$ 15,989 mil e maior do que dos estados de Goiás, de R$ 12,878 mil e de Mato Grosso do Sul, de R$ 45,977 mil.

Porém, apesar do incremento no volume do que é produzido, a participação mato-grossense na produção brasileira não alcança 2%. Entre 2004 e 2008, a contribuição do Estado variou entre 1,9% e 1,7%, registrando o menor índice em 2006, com 1,5%. Em 2008, o país teve PIB de R$ 3,031 trilhão.

SETORES - O crescimento do PIB de Mato Grosso veio acompanhado de algumas mudanças entre nos setores responsáveis pelas riquezas. O setor primário, formado pela produção agrícola, pecuária e de pesca reduziu sua participação de 35,3% para 28,9% entre os anos de 2004 e 2008. Neste período o setor industrial também registrou uma queda de 4 pontos percentuais. Em contrapartida, o setor de serviços, no qual se enquadra o comércio, ampliou sua participação de 44,8% para 55,2% em 5 anos.

Esta transformação do cenário produtivo é visto como natural e decorrente do crescimento da economia regional. Apesar da redução registrada na agropecuária, especialistas apontam que não houve queda de produção, mas de valor.

O consultor econômico Amado de Oliveira Filho explica que a produção no campo é crescente neste período, porém, os custos aumentaram e os preços não são formados pelos produtores. "O produtor rural é um tomador de preço. O valor cotado no mercado internacional é o mesmo praticado aqui e são feitos os abatimentos de custos", afirma ao citar a desvalorização das commodities agrícolas.

Para o economista Vitor Galesso o que diferencia o setor agrícola do de serviços é a velocidade com que crescem. Conforme ele, os valores movimentados pelas exportações são muito maiores do que o comércio local movimenta e com isso o seu impacto em percentuais é menor.

Ainda segundo Galesso, este incremento do terceiro setor é benéfica para a população, uma vez que o segmento melhor distribui renda. "Nos países mais desenvolvidos o comércio representa maior parte das riquezas produzidas, com exceção dos países asiáticos que tem grande produção no setor industrial, mas que por isso também não são exemplos de distribuição de renda".

Além disso, o economista comenta que o desenvolvimento do centro urbano, principal na Capital, fortalece a criação e o fortalecimento da prestação de serviço e atividade comercial.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), Jandir Milan, diz que são os serviços e o comércio a ponta da economia. "Quando uma região se desenvolve, o comércio tende a ser o primeiro a sentir os reflexos. Se uma indústria se instala em uma cidade, o poder aquisitivo da população aumenta e consequentemente o consumo".

Quanto à redução na participação industrial no PIB estadual, Milan afirma que não há um motivo em específico, mas que fatores como o fechamento de indústrias madeireiras pode ser um dos fatores que contribuíram para o resultado.
Autor: Laís Costa Marques
Fonte: A Gazeta

Outras Notícias
16/10/2015 Mudança no PIS/Cofins vai aumentar custos para produtores ru...
16/10/2015 ANTT define medidas para isenção de pedágio para eixos suspe...
16/10/2015 Dólar dita ritmo da venda do milho em Mato Grosso
16/10/2015 Monitoramento da Adapec mostra baixa incidência da ferrugem ...
16/10/2015 Cananéia, uma das referências do sistema brasileiro de defes...
HISTÓRIA | SERVIÇOS | LOCALIZAÇÃO | FALE CONOSCO | WEBMAIL
Todos os Direitos Reservados © 2026