Mato Grosso é único entre grandes com saldo negativo
16 de novembro de 2010

Mato Grosso é o único Estado entre os grandes exportadores brasileiros a apresentar recuo no saldo dos embarques ao longo de 2010. No período de janeiro a outubro a receita encolheu cerca de 3%. Conforme dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), apenas três estados apresentam resultado negativo: Mato Grosso, Piauí e Roraima.

No acumulado dos dez meses de 2010, Mato Grosso somou negócios de US$ 7,24 bilhões, contra US$ 7,46 bilhões contabilizados em igual período do ano passado. Em dólares, há uma perda de US$ 200 milhões.

Na comparação mensal, setembro contra outubro deste ano, há retração de 23,56%, pois a receita de setembro somou US$ 713 milhões. Na avaliação anual, outubro contra outubro, a diferença aumenta: queda de 8,4%.

As vendas somaram no mês passado US$ 545,78 milhões e em igual mês do ano passado, US$ 595,42 milhões. Com o volume de outubro deste ano, as vendas remontam a outubro de 2007, quando os embarques somaram US$ 547 milhões.

Conforme o presidente em exercício da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Jandir Milan, analisando apenas nos números, os resultados parecem ruins, mas existem vários fatores de ordens interna e externa que levaram aos índices.

A seca no rio Madeira, que vem restringindo embarques há cerca de 90 dias, e a brusca desvalorização do dólar frente ao real, são aspectos que influenciaram negativamente sobre o resultado de outubro.

“No entanto, se vemos o volume de venda de soja em grão cair mês a mês isso é fantástico, prova de que estamos processando o grão no Estado e vendo seu subproduto, o que no mercado se traduz em maior valor de venda, alta do valor agregado de um produto”.

Outra observação sobre o mercado interno é que muita soja está sendo destinada à produção de biodiesel, e ele é quase que consumido em sua totalidade dentro do país e do Estado. “Somos o segundo maior produtor do Brasil e o maior em capacidade instalada. Por enquanto, perdemos para São Paulo”.

O “por enquanto”, segundo Milan, tem dias contados. “Com a melhora da nossa logística, seremos o maior importante polo de produção do combustível – assim como de outros produtos – afinal, a matéria-prima está aqui. Somos os maiores produtores de grãos e fibras do Brasil”.

O assessor econômico da Fiemt, Carlos Vitor Timo Ribeiro, aponta que essa redução de embarques de soja em grão é uma tendência que se confirma mês a mês. “As vendas de soja em grão, produto este que se mantém – apesar de apresentar um percentual menor – continuam sendo o carro-chefe da pauta mato-grossense”.

Ainda sobre os aspectos positivos que os números escondem numa primeira avaliação, Milan lembra que o Estado contabilizou até o mês passado o terceiro maior superávit da balança comercial no Brasil: US$ 6,5 bilhões.

O valor é a diferença entre os volumes (cifras) exportados e os importados. Minas Gerais lidera com saldo de US$ 16 bilhões, seguido do Pará com US$ 9 bilhões.

“Veja como são as coisas: o Brasil tem expectativa de findar 2010 com saldo de US$ 16 bilhões. Se somarmos o superávit do Pará e de Mato Grosso, dois estados considerados periféricos, garantimos o resultado de um país. E é essa a moeda de troca que temos a oferecer à União para provocar investimentos em logística para ampliar a capacidade de transporte da Amazônia Legal – nove estados – e, assim, contribuir muito mais para o desempenho nacional. São Paulo, o maior exportador, sofre com a defasagem cambial e acumula déficit de US$ 13 bilhões em 2010”.

No período de janeiro a outubro, Mato Grosso importou 8,79% a mais que em igual período de 2009. Neste ano as compras somam US$ 752,99 milhões, contra US$ 692,12 milhões. Além da tradicional compra de adubos e suas matérias-primas para uso na agropecuária, chama a atenção a importação de robôs industriais, cuja compra passou de pouco mais de US$ 35 mil para US$ 2 milhões, expansão de 893%.
 
Autor: Marianna Peres
Fonte: Diário de Cuiabá

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