Conab mantém otimismo
11 de novembro de 2010

No que depender do otimismo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Mato Grosso segue firme rumo ao posto de maior produtor de grãos e fibras da safra 10/11. Apesar de todos os problemas vividos no campo, ocorrências geradas pela falta de chuvas e de regularidade delas, o Estado deverá ampliar a produção em 8,1%, ao passar de 28,85 milhões de toneladas (t) do ciclo passado para até 31,19 milhões t.

Se o volume se confirmar acima da casa dos 30 milhões t, Mato Grosso ficará a frente do Paraná, cuja produção está prevista em 29,99 milhões, 4,3% abaixo do que foi na temporada passada quando liderou o ranking nacional.

Mesmo apontando as dificuldades do Estado em dar seqüência ao plantio de soja – que segue abaixo dos anos anteriores – a Conab aponta incremento de 4,3% na produção de soja e de 11,9% na do milho safrinha, cultura que depende do fim do ciclo da soja até 20 de fevereiro para poder ser plantado a tempo de ainda receber chuvas.

Em função da possibilidade de atrasos também na colheita da soja, o milho pode perder a janela de plantio – melhor período à semeadura – e assim recuar em área como também na produtividade.

Mas, a maior parte do otimismo dos números referentes à safra mato-grossense divulgados ontem, no segundo levantamento de acompanhamento feito pela Conab, está alicerçada no algodão. A cultura vem contabilizando bons preços tanto no mercado internacional quanto no doméstico, neste último, há reportes de cotação acima de R$ 81 pela arroba no sul do Estado. Em Nova York – a Chicago do algodão – a alta nos últimos 30 dias é de 44,3%.

A cotonicultura deverá expandir sua área em até 40% e a produção em 58%. Se as projeções se confirmarem, a área cultivada – a partir de dezembro – passará dos atuais 428,1 mil hectares (ha) para até 599 mil. A produção de pluma atingiria 922 mil t contra 856,2 mil da safra 09/10.

Conforme a Conab, Mato Grosso consolida por mais uma temporada a posição de maior produtor nacional. Esse crescimento anual – já apontado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na semana passada – “está sendo previsto principalmente na primeira safra, o que em parte é creditado ao retardamento do plantio da soja, devido, sobretudo a falta de chuva em quantidade ideal, reduzindo acentuadamente a janela de plantio para o cultivo da segunda safra”.

Na semana passada, o Imea já havia observado esta tendência de inversão no Estado, já que até a safra passada quase 60% da pluma vinha da safrinha. Para 10/11 a estimativa é de que a “safrona” responda por até 58% da oferta estadual de pluma.

Pelo Imea, num primeiro levantamento, a expansão de área ultrapassa a casa dos 27%, mas o superintendente, Otávio Celidônio, havia antecipado que o número pode ser superado “e muito”, no próximo levantamento mensal.

SOJA – Enquanto o Imea estima uma produção 2% menor no Estado, em função da perda de área para a primeira safra do algodão, conseqüência do atraso na semeadura e da conseqüente perda da janela de plantio, a Conab projeta expansão de 4,3%. O Estado é o maior produtor da oleaginosa no Brasil.

Neste novo levantamento, a área cultivada com oleaginosa passaria de 6,22 milhões ha para 6,39 milhões. Há estimativa de alta também para a produtividade, 1,5% maior, ao atingir 3.060 mil quilos/ha para 3.015. A produção contabilizaria 19,58 milhões t, ante 18,76 milhões da safra passada.

MILHO – Para a safrinha, a Conab prevê incremento na produção de 11,9%. Mato Grosso tem a maior safrinha de milho do país. O Imea, em seu primeiro levantamento, projetou recuo de 9,3%, em função dos problemas já citados acima.

A Companhia acredita que o grão passará de 7,70 milhões t para 8,62%. O ganho de uma safra para outra virá da produtividade, que será ampliada no mesmo percentual, pois a estimativa é de que atinja 4.530 quilos/ha, contra 4.047.

Das grandes culturas mato-grossenses apenas o arroz teve a produção apontado com declínio, que pode chegar a 14,7%. Mato Grosso é o terceiro na produção nacional e deverá ter mais um ano de dificuldades, já que a produção prevista passaria de 742 mil t para cerca de 633 mil. A área deve encolher 15%, ao passar de 246 mil ha para 209,9 mil.

ALERTA - Segundo os órgãos oficiais de meteorologia, a previsão para os meses de novembro, dezembro e janeiro/2011 é de as precipitações ocorrerem dentro da média. No Centro-Oeste, espera-se grande volume de chuvas em janeiro/11, o que poderá prejudicar a maturação e a colheita da soja precoce, além da qualidade da fibra do algodão primeira safra, plantado mais cedo. O excesso de chuvas, poderá também prejudicar os tratos culturais e favorecer o ataque de doenças fúngicas.
Autor: Marianna Peres
Fonte: Diário de Cuiabá

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