Safra mal começa no Estado e bancos reiniciam arrestos
11 de outubro de 2010

Os bancos das montadoras voltaram a realizar operações de campo para cumprir ordens judiciais de arresto de tratores e colheitadeiras de agricultores inadimplentes. O diretor de relações institucionais da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rogério Romanini, diz que a entidade tem recebido diversos relatos de agricultores que tiveram nas últimas semanas seus bens arrestados pelos bancos em Canarana, Rondonópolis e Campo Verde.

Romanini afirmou que a Famato emitiu uma nota de repúdio a atitude dos bancos, "que aproveitam para realizar as operações de arresto justamente nos momentos em que os agricultores mais precisam dos equipamentos, durante as fases de plantio e de colheita". Ele afirmou que a Famato vai analisar a possibilidade de, na próxima semana, entrar com um pedido de liminar coletivo, a exemplo do que foi feito no final de 2008, para suspender a apreensão dos equipamentos pelos bancos.

Um dos produtores alvos da ação de arresto é Valdo Shelski, de Canarana (823 km a Leste da Capital). No dia 22 de setembro, o banco De Lage Landen, braço financeiro da AGCO (Massey Ferguson), arrestou a única colheitadeira que Shelski tinha para colher a safra cujo plantio começa na segunda quinzena de outubro.

O produtor disse que está "assustado e apavorado", pois ainda não conseguiu comprar os insumos para cultivar os 300 hectares de soja em área arrendada, por falta de crédito, uma vez que seu nome foi inscrito no Serasa.

Valdo Shelski diz que sua dívida com o banco é impagável. Ele lembra que quando contraiu o financiamento em março de 2004 cultivava 700 hectares de soja e pelas contas feitas com o banco 2 mil sacas seriam suficientes para pagar a primeira parcela que vencia no ano seguinte.

Em março de 2005, em função da queda do preço da soja, o valor da prestação subiu para 6 mil sacas. Sem renda, ele não teve condições de pagar. O preço da soja despencou de R$ 42 para R$ 27 a saca.

Shelski conta que comprou a máquina por R$ 333 mil e financiou R$ 278 mil, com quatro anos de amortização da dívida. Há dois anos, por incapacidade de pagamento, ele fez nova negociação da dívida, que na ocasião do arresto estava em R$ 748 mil.

A condição para reaver a máquina é o pagamento de uma parcela de R$ 260 mil que estão novamente vencidos, sendo 40% no ato e o restante após um ano. Caso ele tivesse a opção de vender a máquina, que foi recolhida ao pátio de uma revenda em Canarana, conseguiria no mercado no máximo R$ 300 mil e continuaria com uma dívida de R$ 448 mil. A renda obtida nos 300 hectares cultivados por Shelski é de R$ 70 mil por ano.
 
Fonte: Agência Estado

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