Ibovespa cai para 71.059 pontos, com mercado de olho na Petrobras
6 de outubro de 2010

 A queda acentuada dos papéis da Petrobras leva o Ibovespa ao terreno negativo, com negociações próximas da linha dos 71 mil pontos.

O rebaixamento da recomendação das American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras pelo Barclays e a frustração do mercado com os números do mercado de trabalho americano dão força para as vendas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Por volta das 13 horas, o Ibovespa recuava 0,31%, aos 71.059 pontos. O giro financeiro estava em R$ 3,644 bilhões. O índice não fecha em baixa desde o dia 24 de setembro, o que favorece um movimento de realização de lucros no pregão.

Em Wall Street, as bolsas seguem divididas. Há instantes, o índice Dow Jones tinha alta de 0,18% e o S&P 500 subia 0,03% e o Nasdaq recuava 0,50%.

Os investidores iniciaram o dia de olho no levantamento da ADP, empresa que processa folhas de pagamento, que mostrou que o setor privado americano eliminou 39 mil postos de trabalho entre agosto e setembro, em uma base ajustada sazonalmente.

Além disso, o Departamento de Energia do país informou que os estoques de petróleo cru dos Estados Unidos aumentaram em 3,1 milhões de barris na semana passada, em comparação à anterior, somando 360,9 milhões de barris.

No Brasil, os agentes ainda acompanham o movimento das ações da Petrobras, dado que, depois da Itaú Corretora, uma nova casa alterou sua recomendação para a empresa, após o fim do rocesso de capitalização.

O Barclays reduziu a recomendação para as American Depositary Receipts (ADRs) preferenciais da empresa de 'overweight' (peso acima da média do mercado) para 'equal weight' (neutra) e diminuiu o preço-alvo em 12 meses de US$ 39,00 para US$ 34,00.

Para as ADRs ordinárias, o Barclays manteve a recomendação de 'equal weight', mas também reduziu o preço-alvo de US$ 40,00 para US$ 35,00.

Minutos atrás, os papéis PN da Petrobras declinavam 2,92%, a R$ 26,19, com giro de R$ 864,2 milhões, enquanto as ações ON recuavam 3,61%, a R$ 29,29, com total negociados de R$ 199,1 milhões.

'O rebaixamento da recomendação de um banco de peso para a Petrobras e o aumento dos estoques de petróleo pesam sobre a Petrobras', comenta o economista da M2 Investimentos Roberto Alem.

Em sua avaliação, apesar de os números da ADP terem sido bem piores que o esperado, a expectativa de anúncio de novas medidas de estímulo à economia americana segura uma parte do pessimismo com o mercado de trabalho.

O Banco Fator avalia que os dados da ADP elevam a preocupação com o mercado de trabalho e tornam ainda mais provável uma 'nova rodada de quantitative easing (expansão do balanço do banco central via compras de títulos) pelo Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA]'.

Há pouco, além de Petrobras, estavam entre as maiores baixas do Ibovespa os papéis Redecard ON (-2,38%, a R$ 26,16) e as units da ALL (-3,00%, a R$ 18,40).

Já as principais altas do índice partiam de Telemar ON (3,58%, a R$ 32,63) e PN (2,30%, a R$ 25,26) e de Lojas Americanas PN (2,78%, a R$ 16,95).

Fluxo externo

Ainda no mercado brasileiro, o fluxo estrangeiro na Bovespa ficou positivo em R$ 425,1 milhões na última segunda-feira, quando o Ibovespa subiu 0,22%. Aquele foi o nono pregão seguido de saldo positivo, resultando no ingresso total de R$ 3,591 bilhões no período.

No mês, o saldo de atuação do investidor não residente no mercado doméstico está positivo em R$ 699,7 milhões e, no ano, em R$ 3,8 bilhões.

(Beatriz Cutait | Valor)

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