Especialistas apontam alternativas de curto prazo para a logística de transporte de MT
8 de outubro de 2008

As áreas de influência da BR-158, na região Leste de Mato Grosso, e o sistema rodoviário da região Oeste em direção a Porto Velho (RO) são apontados como algumas alternativas de curto prazo para escoar a produção agrícola do estado, segundo o consultor de logística e infra-estrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) , Luiz Antônio Fayet.

O especialista esteve em Cuiabá na tarde de terça (07) para participar do workshop de logística promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT).

Os investimentos na área de influência da BR-158 facilitarão o escoamento da produção até os portos de Belém (PA) e de Itaqui, em São Luis no Maranhão. Já para a região Oeste, o caminho natural é investir no sistema rodoviário que desemboque em Porto Velho para a produção sair pelo rio Madeira, já que neste rio não são necessárias obras.

Para as regiões Norte, Sul e Sudeste de Mato Grosso, que cumprem a função de abastecer o mercado interno e externo, é preciso continuar escoando pelas rotas tradicionais, ou seja, por Santos e Paranaguá. “Quando a ampliação do porto de São Luis estiver finalizada, os preços dos serviços nesse portos cairão e haverá um descongestionamento, o que fará com que os custos com transporte para os produtores de Mato Grosso também diminuam”, avalia o consultor.

Fayet explicou que as obras de ampliação do terminal de grãos de São Luis estão quatro anos atrasadas e que isso faz com que exista uma demanda reprimida. “O complexo portuário de Itaqui será o maior para o escoamento da produção no país. Hoje, tem uma capacidade nominal para 2 milhões de toneladas, uma demanda 5 mi/t (safra 2006/07) sendo assim tem uma demanda reprimida 3 mi/t que acabam sendo escoadas pelos portos tradicionais de Santos e Paranaguá”. Ele reforçou que os produtores rurais perdem de R$ 3 a R$ 5 por saca por conta dos congestionamentos portuários.

O diretor do Departamento de Infra-Estrutura e Logística do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Biramar Nunes de Lima, considerou que existem quatro eixos de modais dorsais importantes para Mato Grosso. “A duplicação das BR-163 e 158 , a implantação definitiva da Ferronorte e da Norte-Sul, a abertura para a sub-concessão de trechos da ferrovia Leste-Oeste, e a viabilização da malha hidroviária, que no caso de Mato Grosso, a melhor opção são os rios Madeira e Tapajós-Teles Pires”.

Lima pontuou que a implantação da hidrovia Tapajós -Teles Pires ainda não está contemplada pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. “Nas próximas duas semanas, o ministro Reinold Stephanes (Agricultura) falará com o ministro dos Transportes (Paulo Sérgio de Oliveira Passos) para que na revisão do PAC seja incluído o projeto da hidrovia do Teles Pires-Tapajós. A Agência Nacional das Águas (ANA) já deu parecer favorável e estamos esperançosos por uma resposta positiva”.

O gerente de Desenvolvimento e Regulação da Navegação Interior da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski, acredita que a hidrovia Tapajós-Teles-Pires deve ser encarada como potencial hidroviário e também energético. “Estima-se uma geração de 15 milhões de quilowatts. Desse modo, são necessários estudos que considerem o aproveitamento integrado de transporte e energia”.

Nesse sentido, o presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira, informou que a associação formará núcleos de trabalho para realizar as medições econômicas dos modais para cada região do Estado. “Por meio de informações técnicas poderemos embasar as ações políticas”.

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