Petrobras dobra volume de ações de lote adicional para capitalização
17 de setembro de 2010

Rio de Janeiro, 17 set (EFE).- A Petrobras anunciou nesta sexta-feira que vai dobrar a quantidade de ações que venderá em um eventual lote adicional, no caso de a demanda pela multimilionária oferta pública de títulos que fará neste mês superar as expectativas.

O lote adicional, que havia sido limitado a 10% da oferta inicial, agora poderá chegar a 20%, segundo a decisão aprovada na quinta-feira pelo conselho de administração da empresa e comunicada hoje à Bolsa de Valores de São Paulo.

A decisão eleva o número de títulos adicionais a ser oferecidos, entre ações ordinárias, preferenciais e recibos de ações negociadas na Bolsa de Nova York (ADRs), dos 375,9 milhões inicialmente estabelecidos para 751,9 milhões.

A oferta pública de ações da Petrobras, com conclusão prevista para o fim deste mês e que pode ser a maior na história do mercado, prevê a emissão de 2,174 bilhão de novas ações ordinárias e de 1,586 bilhão de preferenciais.

Por ser uma oferta global, a petrolífera, controlada pelo Estado brasileiro mas com ações negociadas nas bolsas de São Paulo, Nova York, Madri e Buenos Aires, também emitirá recibos de ações (ADRs) negociáveis no exterior.

No caso de a demanda superar a oferta inicial, a Petrobras poderá emitir um lote adicional, agora elevado a 751,9 milhões de papéis (20% da emissão inicial), e até um lote suplementar, de 187,9 milhões de papéis.

Apenas a venda do lote inicial leva o valor da oferta a R$ 110,3 bilhões (US$ 64,128 bilhões, na cotação atual), levando em conta o preço das ações da empresa no fechamento de 1º de setembro.

No comunicado de hoje, no entanto, a empresa não esclareceu como será composto o lote adicional (entre ações ordinárias, preferenciais e recibos de ações), o que impede o cálculo do valor total da oferta no caso de a Petrobras conseguir vender todos os papéis oferecidos.

Apenas o valor do lote inicial oferecido já supera a oferta pública de ações feita este ano pelo Agricultural Bank of China (US$ 22,1 bilhões) e a emissão recorde de US$ 36,8 bilhões da operadora japonesa de telecomunicações NTT, em 1987.

O preço final das ações oferecidas pela companhia petrolífera brasileira será definido pelo Conselho de Administração da Petrobras em 23 de setembro.

O Estado brasileiro assinará a capitalização mediante a cessão à Petrobras do direito de explorar jazidas ainda não licitadas, com reservas equivalentes a cinco bilhões de barris, para o que os acionistas minoritários terão que fornecer recursos novos.

O Governo cobrará um preço médio de US$ 8,51 por cada um dos barris que vai oferecer à Petrobras.

Esse valor significa que o Estado brasileiro poderá pagar até US$ 42,533 bilhões para manter sua atual participação na Petrobras.

Os recursos captados servirão para financiar parte do ambicioso plano de investimentos da companhia até 2014, que chega a US$ 224 bilhões.

A capitalização será usada principalmente no pré-sal, as gigantescas reservas que a Petrobras descobriu em águas ultraprofundas do oceano Atlântico, abaixo de uma camada de sal de dois quilômetros de espessura e que podem transformar o Brasil em um dos maiores produtores mundiais de petróleo.

Segundo a empresa, a capitalização vai permitir que seja cumprido o objetivo de aumentar sua produção desde os atuais 2,5 milhões de barris diários de petróleo e gás equivalente para 3,9 milhões, em 2014, e 5,4 milhões, em 2020. EFE

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