MT: Atraso de pelo menos 3 semanas
17 de setembro de 2010

A informação de que poderá chover só a partir da segunda quinzena de outubro causou pânico nos produtores mato-grossenses, que ainda não iniciaram a semeadura justamente por falta de chuvas. A temporada de plantio foi aberta oficialmente ontem (16), mas por enquanto ninguém fala em plantar. Na maioria das regiões produtoras do Estado não chove desde o mês de abril. O solo está quente, o calor é intenso e a umidade está em patamares críticos. Pela primeira vez, em anos, o plantio da nova safra brasileira de soja, sempre iniciada em Mato Grosso, está atrasada.

“Não há como pensarmos em plantar agora. Quem fizer isso corre o risco de perder toda a semente e nem ver a germinação da planta”, alerta o agrônomo Egydio Vuaden, vice-presidente da Fundação de Pesquisa Rio Verde, em Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao norte de Cuiabá).

Segundo ele, tem de chover pelo menos 50 milímetros (mm) para o produtor iniciar o plantio. “Pelas nossas previsões, o plantio realmente vai atrasar este ano em pelo menos três semanas”. Vuaden acredita que o plantio vai decolar a partir de outubro, se as condições estiverem propícias à semeadura. No ano passado, a região de Lucas do Rio Verde plantou 230 mil hectares, área que deve se repetir este ano. O município é conhecido por utilizar variedades de soja precoce, de ciclo de desenvolvimento menor, e assim plantam e ofertam primeiro os grãos da nova temporada brasileira. Quando cultivados no início da segunda quinzena de setembro, há hectares que começam a ser colhidos antes da virada do ano.

“Com o clima seco e quente, a preocupação do produtor agora não é só com o atraso no plantio, mas com incêndios e queimadas que têm destruído palhadas de milho nas lavouras”.

TAPURAH - Marusan Ferreira Barbosa, presidente do Sindicato Rural de Tapurah (433 quilômetros ao norte de Cuiabá), também está preocupado com o fogo. “Estamos aguardando chuva para iniciar o plantio, mas no momento a nossa grande preocupação é com a ameaça de incêndios em áreas de lavoura já preparadas para receber a semente”, diz.

Segundo ele, a última chuva na região ocorreu no dia 4 de abril. “Estão prevendo que irá chover só no final do mês, mesmo assim em pouco volume. Isso é preocupante, pois o plantio já está atrasado e pode ficar adiado por mais alguns dias”.

Para iniciar o plantio, Barbosa acha que deve chover entre 100 e 150 mm em áreas de argila. “Em outro tipo de solo o volume de chuva pode ser menor, mas o produtor deve ficar atento e só iniciar o plantio quando o solo estiver propício”. Na safra passada, Tapurah plantou 120 mil hectares de soja, devendo manter a área no ciclo 10/11.

SORRISO - Outro município que terá o seu plantio atrasado é Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), que detém a maior área cultivada de soja no país e é um dos primeiros a iniciar o plantio no Estado. No ciclo 09/10, foram semeados 600 mil hectares e a produção chegou a 2 milhões de toneladas. O milho é plantado somente na segunda safra e ocupou uma extensão de 240 mil hectares na última temporada. A janela de plantio do cereal vai da primeira quinzena de janeiro até 20 de fevereiro. O município já enfrentou problemas em 2010, porque as chuvas cessaram no início de abril, antes do que era previsto para a região, provocando quebra de 15% na produtividade de milho segunda safra no Estado.

NOVA MUTUM - Segundo o agrônomo Agmar Lima, de Nova Mutum (269 quilômetros ao norte de Cuiabá), “o solo está extremamente seco” na região e ninguém fala em plantar. “Lembro-me que em 2009, nesta mesma época do ano, já tinha muita gente plantando. Agora não podemos nem pensar [em plantar]. É preciso pelo menos duas chuvas boas”.

Nova Mutum deverá plantar este ano 320 mil hectares, sendo 230 mil hectares de soja, 40 mil hectares de algodão e, o restante, milho, arroz e outras culturas. Agmar Lima acredita que na região de Nova Mutum os produtores só vão plantar “no final de setembro para início de outubro”. (MM)

 

Diário de Cuiabá

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