Lula defende investimento em armazéns agrícolas
9 de setembro de 2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira a política de ampliação de armazéns agrícolas e do estoque regulador adotada em seu governo. De acordo com ele, as medidas valorizam a soberania do Brasil e nos defendem contra disparadas nos preços dos alimentos além de "situações adversas", citando como exemplo boicotes provocados por guerras.

"É muito melhor para o Brasil ter um armazém grande e vazio porque não tem alimento, do que a gente ter muito alimento e não ter o armazém para estocar. Nós vamos continuar com essa política de armazenamento", disse o presidente, informando que no seu governo a capacidade de estocagem aumentou de 90 milhões para 135 milhões de toneladas.

Lula fez as declarações em discurso durante a cerimônia de inauguração de um armazém de grãos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em Uberlândia (MG). Ele criticou antecessores por deixarem de investir no setor. O presidente também utilizou a obra, que custou R$ 41 milhões, para defender a presença forte do Estado na economia.

"Parece estupidez, mas um armazém como esse se pensou em 1970. Estamos falando de praticamente 40 anos. Depois se investiu um pouquinho de dinheiro. Em 1989, ele [o investimento] parou, porque em 1989 começou a doutrina de que o Estado não presta para nada, nós temos que tirar o Estado de tudo e o mercado é igual a Deus, o mercado vai resolver o problema da humanidade", disse.

"Mas hoje está provado que o Estado tem um papel importante, que o setor privado tem papel extremamente importante, mas que os dois não são antagônicos, eles têm que se combinar entre si. Cada um tem uma tarefa e o Estado tem que ser o indutor e o regulador. Ele não pode ficar de fora."

Lula afirmou ainda que o aumento das exportações brasileiras de alimentos incomoda outras nações, que passam a 'inventar problemas' contra os produtos nacionais.

"Quando o Brasil começa a ser o maior exportador de café, de carne, o maior disso, começa a ter problemas contra nós. Começam a inventar problema na nossa soja, no nosso milho, no nosso etanol e aí nós precisamos ser cada vez mais sérios, cada vez mais competentes e investir cada vez mais porque nós sabemos que podemos dominar uma parte do planeta com a capacidade tecnológica do Brasil e com a nossa capacidade produtiva."

O presidente também citou a crise econômica internacional e a medidas anticíclicas adotadas pelo governo para enfrentá-la e criticou a oposição e governos anteriores.

"Tudo isso é pouco diante do que nós podemos ser. Nós podemos ser muito mais. É que houve um tempo em que nós éramos dirigidos por pessoas que pareciam muito inteligentes mas que tinham a sua inteligência colonizada, tudo dependia dos EUA, tudo dependia da Europa e acreditavam muito pouco em nós mesmos."
Autor: Fábio Amato
Fonte: Folha de S.Paulo

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