Petrobras segurou Bovespa em baixa e dólar caiu a R$ 1,725
9 de setembro de 2010

Valor OnLine

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresentou variação negativa, puxada pelas ações da Petrobras. O dólar encerrou em baixa mesmo depois de o Banco Central (BC) fazer dois leilões de compra no mercado à vista, algo que não acontecia desde maio. Os contratos de juros futuros encerraram próximos da estabilidade. Esse é resumo do comportamento dos mercados brasileiros na quarta-feira.A formação de preço por aqui não seguiu o cenário externo, onde a movimentação dos agentes foi pautada pela recompra de ativos de risco depois do tom negativo da terça-feira. O que garantiu tranquilidade aos operadores foi o leilão de dívida soberana realizado por Portugal. A operação, que foi bem sucedida, reduziu os temores sobre novos problemas com o setor financeiro e com o endividamento dos governos da região.Na agenda americana, o Livro do Bege do Federal Reserve (Fed), banco central americano, apenas confirmou o que os indicadores já tinham mostrado: o ritmo de crescimento da atividade é menor, embora alguns setores mostrem melhor comportamento que os outros.Ainda nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama defendeu a redução de impostos para os americanos que ganham US$ 250 mil ou menos por ano e se disse contra a manutenção das isenções para os mais ricos. Pelas contas do governo, não dá para abrir mão de US$ 700 bilhões, preço do corte de impostos aos mais abonados.O balanço final dessa notícias em Wall Street foi uma alta de 0,45% para o Dow Jones, que fechou aos 10.387 pontos. O S&P 500 teve acréscimo de 0,64%, a 1.098 pontos. O Nasdaq subiu 0,90%, para 2.228 pontos.De volta ao mercado local, o comportamento da Bovespa continuou atrelado às ações da Petrobras, que tiveram forte baixa. No encerramento da jornada, o Ibovespa registrava queda de 0,51%, a 66.407 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 5,69 bilhões.Os papéis PN da Petrobras perderam 4,33%, para R$ 27,83, e giraram R$ 906,4 milhões, enquanto os papéis ON recuaram 4,43%, a R$ 31,86, e movimentaram R$ 167,5 milhões. Nos últimos cinco dias, os papéis PN da empresa dispararam 14,3%. "Apesar de todos os esforços do governo para angariar fundos e garantir a capitalização da Petrobras, ainda é preciso ter uma demanda final do mercado da ordem de R$ 60 bilhões. E o investidor que não estiver na oferta primária vai exigir um desconto relevante para entrar na oferta, então os papéis ainda podem corrigir um pouco o preço", comentou a sócia da Oren Investimentos, Daniella Marques. Segundo ela, setembro é um mês que exige cautela dos investidores até para as ações não ligadas à Petrobras, já que elas também poderão sofrer o impacto da capitalização, dada a absorção do fluxo de recursos pelo mercado. No mercado de câmbio, pela primeira vez em quatro meses, os agentes assistiram a duas intervenções em um mesmo pregão. Mas a movimentação do Banco Central (BC), que tomou dólares a R$ 1,7236 e a R$ 1,7248, não foi suficiente para tirar o viés de baixa da formação de preço, que perdura por seis sessões consecutivas. Com o anúncio do segundo leilão, por volta das 16 horas, as vendas perderam força, mas o dólar comercial ainda caiu 0,11%, para R$ 1,725 na venda, novamente o menor preço desde 4 de janeiro, quando a moeda encerrou a R$ 1,720. O giro estimado para o interbancário ficou em US$ 1,5 bilhão. Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o dólar apontava desvalorização de 0, 09%, para R$ 1,724. O volume caiu de US$ 328,75 milhões para US$ 240,75 milhões. O diretor da Pioneer Corretora, João Medeiros, comentou que, ao fazer duas atuações em um mesmo dia, o Banco Central não quer deixar a taxa de câmbio desandar. No entanto, esse tipo de postura descaracteriza cada vez mais o regime de câmbio flutuante. Medeiros lembra que, além dos dólares esperado pela oferta da Petrobras, o mercado também lida com captações de outras empresas, que já somam, ao menos, US$ 4 bilhões. Entre as operações, Medeiros aponta o US$ 1,5 bilhão da Vale (depois confirmado em US$ 1,75 bilhão), US$ 1 bilhão do BNDES, US$ 1 bilhão da Telemar e outros US$ 500 milhões da Odebrecht. A expectativa é de que esses dólares cheguem ao mercado já na próxima semana. Com isso, diz Medeiros, a expectativa é de dólar a R$ 1,71 até o fim da semana e na linha de R$ 1,70 na semana que vem. Agora, considerando os recursos da Petrobras, a expectativa do diretor é de dólar na casa de R$ 1,65. O que não se sabe ao certo é quanto a oferta de ações da Petrobras pode gerar de fluxo externo. As estimativas que correm pelo mercado vão de US$ 10 bilhões a US$ 30 bilhões. Também se fala que boa parte do dinheiro já teria entrado no Brasil ou que os agentes vão desmanchar posições em outros ativos para tomar parte na oferta da estatal. Outra ponderação, essa feita pelo diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, é de que o mercado não parece contar com a possibilidade de a Petrobras entender que o preço do dólar é desestimulante ao ingresso e resolver manter a moeda no exterior. Esperando por uma taxa mais atrativa ou mesmo para pagar seus compromissos externos. No mercado de juros futuros, depois de um firme movimento de baixa no começo do pregão, os contratos de juros futuros encerram o dia praticamente estáveis. Hoje, as atenções estão voltadas à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto. De acordo com o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, o mercado externo continua exercendo uma grande força sobre a formação da curva futura. Segundo Petrassi, o ressurgimento dos problemas envolvendo bancos e governos europeus - assunto que pautou a terça-feira - contribui para a visão negativa com relação à economia mundial.E é justamente essa expectativa de cenário externo fraco que parece delinear a condução da política monetária doméstica. De acordo com ele, tal estratégia que vem sendo implementada pelo Banco Central contêm um risco, pois no caso de alguma reação das economias internacionais, o BC pode se ver obrigado a retomar o movimento de alta na taxa de juros. Antes do ajuste final de posições, na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,02 ponto, a 11,36%, depois de cair a 11,29%. Janeiro de 2013 mostrava estabilidade, a 11,62%. E janeiro 2014 avançava 0,02 ponto, 11,55%.Entre os curtos, outubro de 2010 recuava 0,02 ponto, a 10,62%. Novembro de 2010 não mostrava oscilação a 10,63%. E janeiro de 2011 projetava 10,67%, sem variação.Até as 16h10, foram negociados 430.890 contratos, equivalentes a R$ 35,45 bilhões (US$ 20,54 bilhões), quase quatro vezes mais do que o registrado na segunda-feira. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 167.295 contratos, equivalentes a R$ 14,53 bilhões (US$ 8,41 bilhões). (Eduardo Campos | Valor)

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