Produção de açúcar na China cai devido à estiagem
6 de agosto de 2010

A produção de açúcar na China registra queda pela segunda temporada consecutiva. No total, 10,74 milhões de toneladas de açúcar foram produzidas na safra 2009/10, que se encerra oficialmente em setembro próximo.

O recuo de 13,53% sobre a safra anterior ocorre essencialmente devido ao clima desfavorável. Como resultado, projeta-se um deficit doméstico de 3,59 milhões de toneladas neste ano.

Apesar disso, a importação de açúcar não cresceu e nem deve crescer tanto quanto como se poderia imaginar.
A produção chinesa de açúcar está alicerçada fundamentalmente em cana-de-açúcar, cabendo à beterraba uma parcela de 5,6% do total produzido em 2009/10.

A estiagem, que começou no segundo semestre de 2009, afetou as principais regiões produtoras de açúcar. Como resultado, houve queda na disponibilidade de matéria-prima.

Cerca de 7,10 milhões de toneladas de açúcar, ou 65,9% da produção nacional, foram produzidas em Guangxi, 528 mil toneladas menos que em 2008/09.

Em Yunnan, segunda maior província produtora, a produção foi de 1,77 milhão de toneladas de açúcar, o que representa 463,7 mil toneladas menos que em 2008/09.

A terceira maior área plantada com cana, na província de Guangdong, produziu 857,7 mil toneladas de açúcar, queda de 19%.

Na província de Xinjiang, a maior produtora de beterraba açucareira, o processamento em 2009/10 caiu em torno de 10%, para 3,22 milhões de toneladas.

Em segundo lugar vem a província de Heilongjiang, responsável por 98,9 mil toneladas de açúcar de beterraba, com queda de 65,3%.

Apesar da retração da produção interna, o governo chinês tem adotado uma política deliberada de perseguir a autossuficiência.

A manutenção de estoques governamentais, o controle das importações e a produção e uso de sacarina pela indústria alimentícia são os principais instrumentos.

A China é um grande consumidor e produtor mundial de sacarina e também de outros adoçantes sintéticos.
O governo chinês iniciou um controle sobre a oferta de sacarina, chegando inclusive a fechar algumas fábricas, sob o argumento de melhorar a saúde pública.

Mas, em períodos em que os preços do açúcar se tornam mais elevados devido ao deficit no balanço interno, o governo volta a estimular o uso de adoçantes artificiais.

Quase todo açúcar é consumido indiretamente, em bebidas e alimentos processados, sendo baixo o consumo direto. O consumo per capita é hoje de 11,1 kg por habitante, contra a média mundial de 25 kg por habitante.

O volume importado não chega a representar uma parcela substancial do consumo. Para a temporada 2009/ 10, projeta-se que a China importe 1,11 milhão de toneladas de açúcar, contra 1,02 milhão em 2008/09, ou apenas 7,75% do consumo doméstico estimado para o período.

Quando a China entrou na OMC, foi acordada uma cota de importação de 1,6 milhão de toneladas, que, em 2004, foi aumentada para 1,95 milhão de toneladas sob tarifa de 20%, que sobe para 65% para o volume excedente.
Além disso, a China supre a maior parte de suas importações através de um acordo com Cuba, de 400 a 450 mil toneladas anuais.

Para o balanço de 2010/11, projeções preliminares apontam que as importações de açúcar possam crescer 15,3%, para 1,28 milhão de toneladas, mesmo volume importado em 2007/08.

Já a produção de açúcar deve apresentar crescimento de 10,7%, de 10,74 milhões para 11,89 milhões de toneladas, embora ainda abaixo do consumo doméstico.

Persistindo esse quadro, apesar do seu enorme potencial, as perspectivas de a China se tornar um grande importador são mais firmes para etanol do que para açúcar.

*Plinio Nastari é presidente da Datagro Consultoria.
Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo no dia 06/08/2010.

Folha de São Paulo

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