Área cultivada com a soja deve ser menor
3 de agosto de 2010

A próxima safra de soja em Mato Grosso poderá apresentar redução de área acima do esperado pelos produtores. O cenário negativo é reflexo da redução do uso de insumos agrícolas, que até o momento, pontua com índices menores se comparado ao mesmo período da temporada passada.

O último boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que a compra dos insumos a serem consumidos nas lavouras estaduais nesta safra está bastante avançada, com 86% dos defensivos negociados, 85% dos fertilizantes comprados e 90% das sementes.

Para o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Carlos Henrique Fávaro, mantendo esses resultados, a tendência é que a redução de área fique acima dos 3% já previstos pelo setor. De acordo com ele, a redução no uso de insumos agrícolas está aliada a falta de renda do produtor e a dificuldade de obter crédito para custear o plantio da soja.

Ele ressalta que a desvalorização do preço do milho cultivado em Mato Grosso contribui para que o agricultor reduza gastos na safra seguinte, que começa a ser plantada a partir do dia 15 de setembro. "Com a redução da tecnologia no campo a tendência é que ocorra a redução na área plantada, interferindo, dessa forma, na produção da soja".

Conforme o Imea, os pacotes completos de trocas de soja por insumos estão em 28 sacas a prazo e em 24 sacas se o pagamento for à vista. O índice está abaixo do que foi apresentado em maio, quando o troca para plantar um hectare em Mato Grosso estava em torno de 30 sacas a prazo e 26 sacas à vista. Atualmente, segundo o instituto, o preço de venda da soja está em R$ 41 em Alto Araguaia, R$ 40 em Campo Verde e R$ 37 em Sorriso e Sapezal.

Milho - O diretor administrativo da Aprosoja, Carlos Henrique Fávaro, afirma que todo o estoque de milho cultivado em Mato Grosso deve ser comercializado, por meio de leilões de prêmio, até o fim deste mês. De acordo com ele, o subsídio do governo federal deve equalizar o preço dos grãos.

"A expectativa é que preço do milho aumente nas próximas edições da venda pública". De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta quinta-feira (5) será promovido mais um leilão de milho - o nono do ano - e que vai contemplar os produtores mato-grossenses.

Nesta edição serão ofertadas 1,2 milhão de toneladas por meio do leilão de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP). Este ano, o Estado comercializou 4,888 milhões de toneladas do grão por meio das venda pública.

Produtividade - A média de produtividade do milho aumentou de 68,3 sacas por hectare para 68,8 sc/ha entre julho e agosto deste ano, conforme mostra o último boletim do Imea. Ainda assim, serão colhidas 15 sacas por hectare a menos que em 2009.

O leve aumento se deve às maiores regiões produtoras (Médio-Norte, Oeste e Sudeste) que somadas representam 85% da produção do Estado. Em Lucas do Rio Verde, os rendimentos ficaram em 80 sacas/ha contra 97 sacas/ha do ano anterior. Em Sapezal as atuais 70 sacas/ha representam 20 sacas de perda em relação à safra passada.

A safra 09/10 de milho está com cerca de 92% da área colhida sendo que 17,9% na produção já foi vendida.
Crédito foto: Acervo Aprosoja
Autor: Vívian Lessa
Fonte: A Gazeta

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