Agricultores vão parar de novo na Argentina
3 de outubro de 2008

Em mais um capítulo do conflito entre o governo da Argentina e os agricultores, os principais produtores rurais do país anunciaram uma nova parada nacional que começará nesta sexta-feira.


A nova parada foi anunciada pelo diretor da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati, que explicou que "a situação se agravou por causa do aumento dos custos do setor agrário".


Durante esses dias se interromperá a comercialização de grãos e quase todo o rebanho. Durante o protesto, não haverá bloqueio de estrada. Também haverá manifestações no interior do país. A paralisação terminará na próxima quarta-feira (8), com um ato em San Pedro.


"O governo ignora de novo nossos chamados. Não se pode ignorar o agravamento da situação dos produtores por força dos custos, ligados aos preços do petróleo e da queda dos preços devido à crise financeira internacional", disse Biolcati.


Ao descontentamento dos últimos meses se somam a preocupação com a situação dos produtores pela seca que atinge a maior parte da área cultivável do país e a incerteza econômica que gera a crise financeira dos Estados Unidos.


Fim de impostos


Os agricultores pedem um plano nacional que lhes dê maior rentabilidade e protestam pela falta de uma política agropecuária do governo.


Além disso, exigem o fim dos impostos sobre as exportações de grãos. "Queremos a eliminação pura e simples das retenções (impostos às exportações)", disse Biolcatti.


Outra demanda é por maior ajuda estatal para comprar maquinarias e insumos, cujos preços são internacionalizados e em dólares.


Como resposta, o governo tomou medidas como fornecimento de subsídios para produção de leite e carne e restituição de impostos para pequenos agricultores. Ainda assim, os produtores não consideram essas medidas suficientes.


Greve


O anúncio de terça-feira (30) se une ao largo litígio entre o setor agrícola argentino e o governo da presidente Cristina Kirchner. Neste ano, milhares de produtores rurais realizaram uma greve de quatro meses em repúdio a um projeto da presidente de aumentar os impostos e as exportações de soja, entre outros grãos e cereais.


Ao final da greve, os ruralistas conseguiram fazer com que o Congresso derrubasse o projeto de "retenções móveis". A derrota no Parlamento provocou uma crise política no governo, que culminou na substituição de funcionários-chave, como o chefe do Gabinete e o secretário de Agricultura.


O protesto é impulsionado por agricultores, entre eles os produtores de soja, grão que ocupa 50% da superfície do país e que, graças aos altos preços dos mercados internacionais, gera recursos de quase US$ 24 bilhões (R$ 49 bilhões) por ano.


A Argentina é o terceiro produtor mundial deste cultivo.


Segundo estimativas, o conflito no campo derrubou a popularidade da presidente Argentina de 50% para 25%.

Folha Online

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