Governo estabelece meta para reduzir agrotóxicos
2 de outubro de 2008

Controlar pragas agrícolas com produtos menos agressivos, que, além de poluir menos o meio ambiente, ainda saem mais barato no final do custo de produção para o agricultor, é a meta do governo do Estado para as próximas lavouras de soja, milho e trigo.

A expectativa dos técnicos da Emater e Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) é de que, ao final de cinco anos, a diminuição dos agrotóxicos nas lavouras do Estado seja de 30%.

A decisão da retomada do programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) foi anunciada pelo secretário de Agricultura e Abastecimento, Valter Bianchini, durante a reunião da Escola de Governo na terça-feira.

Racionalizar o uso de veneno nas lavouras é o principal objetivo. Lauro Morales, engenheiro agrônomo da Emater e um dos líderes do MIP, afirma que os agrotóxicos aplicados nas culturas de soja, milho e trigo em cada safra do Paraná são suficientes para cobrir duas vezes o território do Estado, daí a necessidade de reduzir a quantidade aplicada.

"O ideal é que pudéssemos plantar e colher sem usar qualquer tipo de produto químico, que não agredisse o meio ambiente e nem intoxicasse as pessoas. Mas a ciência desconhece uma forma de fazer a agricultura que fazemos, na extensão que fazemos, sem a aplicação de pesticidas", afirma Morales. No Brasil, só de soja, foram plantados 20 milhões de hectares na última safra. No Paraná, foram 4 milhões.

Por desinformação, de acordo com o agrônomo, alguns produtores rurais ainda passam veneno sem necessidade em populações de insetos em número insuficiente para justificar a aplicação. "A grande maioria dos insetos não é praga. Quando o inseticida é aplicado nessa condição, morrem esses que não são pragas e as pragas em pequena quantidade a ponto de dar prejuízo. E isso provoca desequilíbrio", diz Morales.

Ainda segundo ele, produtos capazes de eliminar as pragas e preservar os demais insetos, à disposição no mercado, continuam sendo preteridos pelos produtores em detrimento de venenos mais potentes, o que também é um erro.

De 1990 a 2000, um programa desenvolvido em parceria pela Emater, Embrapa Soja e algumas cooperativas paranaenses conseguiu reduzir em 50% a aplicação de agrotóxicos em lavouras de soja. Apesar do bom resultado, Morales reconhece que um grande erro foi cometido. "Achamos que, por ter informação, o produtor daria continuidade ao manejo, o que não é verdade. Os técnicos e agricultores devem ser reciclados constantemente."

Para que essas intenções sejam atendidas, serão capacitados cerca de 500 técnicos que orientarão aproximadamente 10 mil produtores sobre o uso consciente de agrotóxicos.


Diário de Maringá
Autor: Juliana Daibert

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