Rede de pesquisa busca reduzir importação brasileira de fertilizantes
2 de julho de 2010

Embrapa Soja em Destaque - O Brasil importa mais de 90% do potássio – nutriente que juntamente com o fósforo e o nitrogênio (NPK) compõe a base de fertilizantes utilizados na agricultura brasileira. Esta dependência externa tornou-se preocupante a partir de 2007/2008, com o aumento em mais de 200% no preço desse nutriente, associado a questões de segurança alimentar.

A chamada crise dos fertilizantes foi determinante para a formação de uma rede de pesquisa e inovação, a Rede FertBrasil, que congrega 138 pesquisadores e técnicos de 22 unidades de pesquisa da Embrapa e 73 pesquisadores de outras instituições de pesquisa e extensão.

De acordo com o pesquisador Vinícius Benites, da Embrapa Solos, o objetivo da Rede FertBrasil é gerar e transferir tecnologias para aumentar a eficiência dos fertilizantes disponíveis no mercado e ainda identificar fontes alternativas de nutrientes para o desenvolvimento de novos produtos para agricultura brasileira.

Entre estas fontes, estariam os minerais e os resíduos orgânicos. “No caso de fontes orgânicas – resíduos de suínos e aves – o que estamos buscando é a definição de critérios técnicos para utilização dessas fontes”, explica coordenador da Rede. “Avaliamos que entre 10 e 15% do potássio consumido no Brasil poderia ser proveniente do correto aproveitamento de dejetos de animais. Outra importante fonte desse nutriente é a vinhaça da cana, cuja quantidade anual produzida no Brasil contém uma quantidade de potássio corresponde a 25% de todo potássio importado”, explica.

No caso de fontes minerais, pesquisadores da Embrapa Soja avaliaram alguns tipos de rochas silicáticas como fonte de potássio. “Os resultados foram semelhantes aos obtidos com fertilizantes utilizados na agricultura convencional. Sabemos que o foco de utilização de tipo de nutriente será a agricultura orgânica em que os fertilizantes químicos não devem ser utilizados”, avalia o pesquisador César de Castro, da Embrapa Soja.

A Rede FertBrasil pretende disponibilizar no mercado 21 produtos e processos que representam impactos econômicos de diferentes naturezas. Estima-se que com o lançamento dessas tecnologias haja um efeito imediato na redução na importação anual de 1,00 %, 1,87% e 1,40% de N, P e K, respectivamente. “Estes cálculos foram realizados, somando-se a quantidade de nutrientes contida nas fontes alternativas prontamente disponíveis, sem se considerar a quantidade de nutrientes cuja perda pode ser evitada pelo aumento da eficiência de fontes convencionais”, explica Benites.

Em relação aos impactos ambientais, as tecnologias serão avaliadas quanto ao seus ciclos de vida, emissão de gases de efeito estufa e ao risco de contaminação por metais pesados. Esses resultados serão comparados com os impactos causados pelos fertilizantes tradicionalmente utilizados. “Esperamos que com a adoção das tecnologias, seja reduzido o impacto relativo ao uso de fertilizantes, em especial relacionados a nitrogenados”, diz Benites.


Complexo Soja

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