Arrozeiro gaúcho terá crédito de R$ 600 mil para safra
23 de junho de 2010

Depois de cerca de seis meses de negociações com o governo federal, os arrozeiros gaúchos receberam ontem uma boa notícia: o Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou a ampliação de R$ 400 mil para R$ 600 mil do limite de financiamento por produtor que sofreu com as alterações climáticas. Isso se deveu à demanda do setor não só para permitir a recuperação de parte dos investimentos, mas também dinheiro para o custeio.

Outra novidade é a possibilidade de o financiamento ser destinado também às benfeitorias afetadas por enchentes, como armazéns, galpões e silos. No entanto, segue a preocupação do setor quanto à falta de mecanismos de comercialização para o cereal. Após reunião realizada ontem com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, as lideranças ficaram frustradas pelo não posicionamento do governo quanto à liberação de recursos para leilões de contratos de opções, AGF e PEP. O presidente da Federarroz, Renato Rocha, disse que a cada semana que passa a situação se agrava, uma vez que os preços de mercado despencam pela dificuldade de comercialização.

Um levantamento feito pela entidade mostra que de 22 municípios pesquisados, pelo menos 12 apresentam preços abaixo do valor mínimo, fixado em R$ 25,80 a saca de 60 quilos. Na região da Campanha há mais de 80 dias vem-se comprando arroz abaixo do preço mínimo, em torno de R$ 22,00. "Nem isso foi suficiente para convencer o ministro para largar mecanismos de comercialização", protestou Rocha. A proposta dos arrozeiros era de realizar os leilões já na primeira semana de julho, já que, com os mecanismos em ação, seria possível segurar a oferta de arroz no mercado e equalizar preços. Caso o mercado não reaja acima do preço mínimo, eles teriam a opção de vender para o governo. Rocha disse que a transferência do vencimento da primeira parcela de custeio de julho para outubro, já ajudou a reduzir a pressão de oferta.

Outro ponto de pauta que permaneceu em aberto se refere ao aumento da TEC, de 12% para 30% como forma a restringir a entrada de arroz de terceiros mercados (extra Mercosul) no Brasil. O setor parte do princípio de que há cereal suficiente no bloco econômico para assegurar o abastecimento nacional e a entrada de arroz de outros mercados afetaria ainda mais drasticamente as cotações internas, provocando um sério prejuízo ao setor produtivo. "Essa questão está protocolada e resolvemos cobrar que o governo eleve a taxa", disse.

Jornal do Comércio
Autor: Ana Esteves

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