Embarque de açúçar provoca filas em Santos
21 de junho de 2010

Os embarques brasileiros de açúcar devem registrar um recorde histórico de volume no mês de junho nos portos do Centro-Sul e provocam problemas logísticos em Santos, no litoral paulista.

 
"Pelo movimento, embarcaremos um volume no mínimo 1 milhão de toneladas superior a igual período de 2009", afirmou o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues. Segundo ele, os embarques de açúcar na região Centro-Sul atingiram cerca de 1,9 milhão de toneladas em junho de 2009.

Na entrada do porto de Santos, filas de caminhões esperam para desembarcar, o que provocou um aumento no preço do frete. "A alta foi de 8%", explica o diretor comercial e de logística da Açúcar Guarani, Paulo José Mendes Passos.

Segundo ele, os portos registram uma concentração pontual de embarque muito maior que o esperado, resultado de uma maior demanda mundial pelo produto no primeiro semestre.

Mais de 70 navios embarcam açúcar neste momento. "A fila se estende por doze dias em média quando o normal é de seis dias", explica o diretor comercial e de logística da São Martinho, Helder Gosling.

Segundo ele, mesmo com a safra brasileira sendo processada dentro do esperado, o forte movimento de embarque mantém a oferta apertada.

Passos, da Açúcar Guarani, ressalta que a forte demanda também por açúcar refinado e que mantém o prêmio do branco de curto prazo em um valor recorde de mais de US$ 170 por tonelada, provoca a redução da oferta de contêineres, utilizado para a exportação do produto de maior valor agregado.

Pádua, da Única, diz que além da demanda externa, o maior volume no porto de Santos foi provocado pelo desvio de vários embarques que seriam feitos por Paranaguá. O motivo é o recente incêndio nos terminais de grãos de Paranaguá que atrasou os embarques por aquele porto.

A expectativa é de que este forte movimento de embarque de açúcar continue a ser registrado também em julho, com a manutenção dos gargalos, principalmente o rodoviário.

"Os caminhões ficam parados mais dias que o normal na fila de desembarque e, neste período, fica impossibilitado de realizar novos carregamentos. A consequência é uma menor oferta de caminhões e o aumento do frete", disse Gosling.

Para evitar este gargalo, a São Martinho embarca parte da produção por meio da Rumo Logística, da Cosan. Em acordo firmado este ano, a Rumo utilizará os terminais de embarque da São Martinho e a empresa utilizará os vagões férreos para levar o açúcar do interior paulista até o porto de Santos.

O Diário

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