Usina de biocombustível fomenta produtores no Paraná
17 de maio de 2010

O terceiro maior consumo de diesel e a segunda maior produção de oleginosas do Brasil fizeram que o Paraná ganhasse a mais nova usina de biodiesel do País. A unidade, inaugurada oficialmente na sexta-feira (14) em Marialva (noroeste), é uma parceria entre os gaúchos da BSBios e a Petrobrás Biombustíveis, cada qual detentora de 50% das ações. A inauguração contou com a presença do presidente da Petrobrás Biocombustíveis, Miguel Rosseto, o governador do Estado, Orlando Pessuti, e diversas lideranças políticas e diretores das duas empresas.

A associação entre as entidades pública e privada aconteceu em novembro de 2009 e contou com um investimento total de R$ 100 milhões até o término das obras. A capacidade de produção é de 127 milhões de litros de biocombustível anualmente. Entre os meses de março e abril, a usina iniciou a produção antes mesmo da inauguração oficial e deve gerar 120 empregos diretos, sendo que 70 funcionários já estão contratados. O intuito dos diretores da usina agora é angariar profissionais da região onde a unidade está instalada.

Esta é a primeira parceria que a Petrobrás realiza com uma empresa privada. O objetivo da criação desta unidade no interior do Estado é para melhorar o atendimento aos mercados do Sul e Sudeste do País. A empresa possui três usinas de biocombustível nos estados da Bahia, Ceará e Minas Gerais, produzindo 326 milhões de litros por ano. Com a parceria com a BSBios, a produção deve subir, a curto prazo, para a 389 milhões de litros.

Para os produtores familiares de oleginosas, principalmente de soja e canola, a vinda de uma usina deste porte para o Estado é de extrema importância. No fornecimento das principais matérias-primas, o cálculo feito pelos diretores é que cerca de 7 mil famílias sejam envolvidas. A usina ainda pretende incentivar a diversificação do plantio das oleaginosas, o que pode acabar envolvendo instituições de assistência técnica agrícola e de pesquisadores da área.

Entenda o biodiesel

O que é?
O bio­di­sel é um etí­li­co de ­óleos ve­ge­tais ou gor­du­ras de ani­mais. Ele é pro­du­zi­do atra­vés de uma rea­ção quí­mi­ca na ­qual con­sis­te da mis­tu­ra de al­guns dos ­dois ti­pos de ­óleo com ál­coois me­ta­nol ou eta­nol, ten­do gli­ce­ri­na ou gli­ce­rol co­mo sub­pro­du­tos.

Como é fabricado?
O pro­ces­so quí­mi­co de pro­du­ção do bio­die­sel é cha­ma­do de tran­ses­te­ri­fi­ca­ção. O ­óleo ve­ge­tal no­vo ou usa­do ou a gor­du­ra ani­mal é co­lo­ca­do num re­ci­pien­te cha­ma­do rea­tor, aque­ci­do e mis­tu­ra­do com o ál­cool e a so­da cáus­ti­ca. De­pois de apro­xi­ma­da­men­te uma ho­ra, ini­cia-se o pro­ces­so de se­pa­ra­ção em ­dois ní­veis: no to­po fi­ca o bio­die­sel e no fun­do do re­ci­pien­te fi­ca de­po­si­ta­do os sub­pro­du­tos.

Qual é a função dos subprodutos?
O sub­pro­du­to bru­to po­de ser usa­do co­mo sa­bão ou de­sen­gra­xan­te. De­pois de pu­ri­fi­ca­da, a gli­ce­ri­na tem di­fe­ren­tes ­usos, in­clu­si­ve pa­ra a pro­du­ção de cos­mé­ti­cos, na in­dús­tria far­ma­cêu­ti­ca e tam­bém co­mo car­ra­pa­ti­ci­da. Há em­pre­sas ain­da que o uti­li­zam co­mo com­bus­tí­vel em cal­dei­ras.

Folha de Londrina
Autor: Victor Lopes

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