O que esperar do trigo este ano
14 de maio de 2010

Preços baixos, dificuldades de comercialização, falta de competitividade e de apoio de políticas de incentivo do governo, ainda rivalizam com a esperança do triticultor de encerrar uma safra com lucro. O plantio do trigo no Rio Grande do Sul vai começar no final do mês e boa parte da safra passada ainda está nos silos, à espera de compradores.

Com previsão de queda na área de cultivo – alguns órgãos falam em até 30% de redução na área –, o trigo ainda granjeia chances de sair do lucro secundário tido com a rotação de culturas e aproveitamento da estrutura ociosa nas propriedades durante o inverno para subir ao pódio dos produtos rentáveis. No Paraná, que já começou o plantio, a redução dever ser de 16%.

No norte gaúcho, o agricultor Antônio Girardi – um dos proprietários da Fazenda Rigo-Girardi, de Erechim – ainda espera uma reação do mercado para vender o que restou da colheita 2009, quando obteve 35 mil sacas do cereal. Às vésperas de reiniciar o plantio, ele ainda tem 40% da sua colheita depositada nos silos da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), em Erechim. O produtor vendeu parte da produção para o governo e conseguiu manter a média de R$ 27 a saca, abaixo do preço mínimo.

A propriedade de 1.250 hectares é dedicada ao plantio de milho e soja durante o verão. No inverno, com a necessidade de manter o solo coberto, o trigo sempre foi a principal opção. Do total, 920 hectares serão dedicados ao trigo e 250 hectares já foram cultivados com aveia. Girardi planta o cereal sem pensar no lucro.

– Até quando vamos aguentar não sei, a gente espera que daqui a pouco melhore e continuamos plantando porque com o trigo ao menos se tira o custo do período – salienta.

A sensação de que o cereal é uma cultura necessária está arraigada no pensamento dos triticultores. No ano passado, o produtor Leandro Luiz Miotto, de Lagoa Vermelha, acreditou na cultura e plantou 70 hectares, mas chegou ao final da safra com prejuízo. Por isso, este ano, reservou para a cultura apenas 50 hectares, como costumava fazer em anos anteriores. Para não deixar a área ociosa neste espaço, Miotto vai cultivar cevada e aveia.

Com este quadro, o que esperar da safra de trigo 2010? Em mais um ano marcado por dificuldades na triticultura brasileira.

Zero Hora
Autor: Marielise Ferreira

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