Maeda deixa cana para crescer em grãos
11 de maio de 2010

O grupo Maeda Agroindustrial, uma das maiores empresas agropecuárias do Brasil, com faturamento de R$ 300 milhões em 2009, decidiu recuar em seu projeto de agroenergia e reforçar o foco em culturas anuais, onde tem maior expertise. A empresa colocou à venda sua área de cana de 14,2 mil hectares em Edeia (GO) e também a participação de 25% na usina Tropical Bioenergia, localizada no mesmo município e que tem como sócios a gigante British Petroleum (BP), com 50%, e a francesa Louis Dreyfus (LD), com 25%.

As terras estão sendo negociadas por R$ 150 milhões, mas o valor pedido pela participação na usina não foi revelado. O plano é desmobilizar esse capital para reinvestir na expansão de áreas cultivadas com soja, milho e, principalmente, algodão, cujos preços internacionais indicam uma boa rentabilidade para os próximos anos. O grupo vê ainda oportunidades no interesse crescente de fundos estrangeiros em terras no Brasil. A ideia é capitalizar a operação agrícola em parcerias com esses investidores.

O grupo Maeda entrou no setor sucroalcooleiro em meados de 2006 a partir da construção da usina Tropical Bioenergia com a Santelisa Vale, de Morro Agudo (SP) - , incorporada no ano passado pela LD. No meio do caminho, em abril de 2008, a BP entrou na jogada com a compra da participação de 50% no negócio.

Na época, em 2006, o cenário era outro, anterior ao 'boom' do etanol. A Cosan, por exemplo, a maior empresa do setor, tinha acabado de atingir a capacidade de moagem de 40 milhões de toneladas - hoje são mais de 60 milhões - e era, até aquele momento, uma das poucas a assumir estratégia agressiva de aquisições de usinas no país.

Atualmente, o grupo Maeda se depara com um ambiente de negócios muito diferente no setor de agroenergia, com grandes multinacionais apostando alto e elevando substancialmente a necessidade de capital no setor. "Percebemos que o grupo não vai acompanhar esse movimento. Este mercado virou terra para gente muito grande e não há espaço para pequenos. Não faz sentido ficarmos com capital imobilizado em uma usina do porte de 2,4 milhões de toneladas de cana", afirma Roberto Haag, diretor de desenvolvimento do grupo Maeda.

Ele não informa com quem a Maeda negocia a venda de terras e da participação industrial, mas afirma que a BP não deve exercer o seu direito de compra. "Há conversas em andamento com outros grupos, mas nada que possamos divulgar", afirma Haag.

Há rumores no mercado de que a LD, que estrategicamente busca ser majoritária em suas usinas, também estaria interessada em se desfazer da participação na Tropical. A empresa francesa está em período de silêncio e não comentou.

Com a saída do setor de agroenergia, o grupo Maeda, fundado há 80 anos por imigrantes japoneses, vai reinvestir para ampliar a atual área plantada com grãos de 94 mil hectares para 135 mil hectares. A área cultivada com algodão no ciclo 2009/10, de 14 mil hectares, deve ser a que mais avançará percentualmente, segundo Haag.

"Vamos crescer em torno de 50%", afirma o executivo. O grupo ainda não concluiu o seu plano de safra, mas sabe que a proporção entre terras arrendadas e próprias continuará sendo de dois terços para as alugadas. Na safra passada, a área de soja da Maeda foi de 75 mil hectares e a de milho, de 5 mil hectares.


Valor Econômico
Autor: Fabiana Batista, de São Paulo

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