MT deverá contabilizar quebra na safra 2010 do milho safrinha
30 de abril de 2010

Mato Grosso deverá contabilizar quebra na safra 2010 do milho safrinha. Depois de projetar uma produção de 9,55 milhões de toneladas, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), reviu as projeções e crê em um volume 14% abaixo da supersafra, ou seja, de cerca de 8,73 milhões de t. Se a nova estatística se confirmar, o Estado contabilizará, ainda assim, uma safrinha recorde.

A nova estimativa foi divulgada ontem e prevê que a produtividade de 5.074 kg/hectare registrada na safra 2009 passe a 4.365 kg. Já em comparação com os números divulgados em março pelo Imea, cuja produtividade deveria atingir 4.773 kg/ha, a quebra passa de 14% (comparação anual) para 8,6%, na análise mensal.

Os números do Imea apenas confirmaram o que os produtores relatam há cerca de 15 dias. Existem lavouras no Estado onde não chove há quase um mês. De acordo com o superintendente do Instituto, Seneri Paludo, a falta de chuva foi a principal responsável por essa redução.

Conforme Seneri, esse cenário é o pior possível para o produtor, já que a estimativa de produção em 2010, em comparação com 2009, cresceu 2,7%, de 8,5 milhões de toneladas para 8,7 milhões de t. "Há uma quebra de estimativas, por enquanto, e não de fato na comparação entre os ciclos".

Na noite da última quarta-feira, durante evento do 5º Circuito Aprosoja, o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira, já antecipava aos produtores presentes à palestra que novos números do Imea mostravam uma nova média de produtividade ao milho, cerca de 72 sacas por hectare, contra média de 84,6 sacas no ano passado. "Esta ainda é uma estimativa por conta da falta de chuvas em várias regiões. Mas a quebra pode ser ainda maior se nos próximos dias não chover", pontua Glauber.

O produtor rural João Ferreira, que planta em Comodoro (644 quilômetros a oeste de Cuiabá), explica os fatores que foram determinantes para a atual situação do milho safrinha. "Primeiro houve excesso de chuvas na colheita de soja, o que fez com que houvesse redução na área de plantio e, consequentemente, isso também vai influenciar na produtividade. Para piorar, a seca atingiu toda região oeste agora na fase de desenvolvimento do milho. Se esse regime climático continuar, acredito em até 30% de queda na produtividade".

SOJA – Na nova estimativa para produção da oleaginosa a alteração é mínima e mantém a previsão de uma safra recorde com mais de 18 milhões de toneladas. A variação negativa prevê perda de 0,5% na comparação entre a produtividade esperada na estimativa de março com a de abril, que passa de 3.041 kg/ha para 3.026 kg/ha.


Diário de Cuiabá
Autor: MARIANNA PERES

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