Soja tem alta de 5,7% este mês
23 de abril de 2010

O valor do bushel de soja (equivalente 27,215 quilos do grão) negociado no mercado futuro registra valorização de 5,7% no acumulado deste mês. Enquanto no primeiro dia de abril o preço praticado na Bolsa de Chicago estava cotado em US$ 9,41 com entrega para maio, nesta quinta-feira (22) chegou a US$ 9,95. A diferença é de US$ 0,54. O acompanhamento de preços é feito pela SojaNet, que diariamente divulga os valores praticados na bolsa, com entrega do grão prevista para diferentes meses.

Na comparação com o mês de março, a valorização foi de 4,5%, quando o bushel valia US$ 9,52, pontuando com uma diferença de US$ 0,43. A cotação da soja para o mercado futuro, para entrega no mês de julho é de US$ 10,06, já para agosto vale US$ 10,01. Na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, a alta na cotação do bushel de soja não indica, necessariamente, que o setor está apresentando reação positiva. Segundo ele, a variação já estava prevista desde o início do ano.

"A pressão do frete diminuiu e tivemos uma recuperação nos preços". No entanto, ele argumenta que a tendência para os próximos meses é de retração ou, no máximo, estabilização dos valores cotados na bolsa. "Os estoques de soja continuam altos. Tivemos aumento desse volume no último ano". Silveira destaca que esse cenário vai depender também do andamento da safra americana. "Se continuar com ascendência, teremos preços reduzidos".

Logística - Além do preço da soja, o presidente da Aprosoja-MT também questiona os modais de transporte para escoamento da produção. Segundo o representante do setor, a falta de logística no Estado pode tirar, em média, 30% dos produtores mato-grossenses da atividade nos próximos anos. A afirmação também foi dita durante o primeiro dia do Circuito Aprosoja, realizada na terça-feira (20), em Rondonópolis (a 210 km ao sudeste de Cuiabá). Silveira explica que pelas condições das rodovias, o agricultor tem prejuízos para fazer o escoamento da produção. "Aliado à falta de rentabilidade no segmento, muito produtores estão fadados a desaparecer. Sem contar que ainda temos alto índice de endividamento".

Isso consequentemente, conforme o representante da categoria, irá elevar o número de arrendatários. "Isso já ocorre, uma vez que estrangeiros estão arrendando terras mato-grossenses. Deveria haver um equilíbrio". Ele destaca também para a atuação das grandes fazendas, que se beneficiam com a insuficiência econômica dos pequenos produtores. Silveira diz também que os valores das propriedades não condizem com o rendimento da categoria. "Por exemplo, em uma propriedade em Sorriso, avaliada em cerca de R$ 8 milhões, o produtor consegue ter lucro de apenas R$ 350 mil, sendo obrigado a plantar uma safra com gastos estimados em R$ 1,250 milhão".


Gazeta Digital
Autor: Vívian Lessa

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