Argentina: China suspendeu as compras de óleo por um ou dois meses
7 de abril de 2010

Quando a reunião terminou com o chanceler Jorge Taiana, na segunda-feira à noite, o embaixador chinês Gang Zeng disse em estilo diplomático: “Isto é questão de um ou dois meses”.

Ontem, as principais exportadoras de óleo da Argentina souberam que não se tratava de uma mensagem tranqüilizadora. Nesta associação, onde estão presentes os gigantes Cargill, Nidera e Bunge, receberam pela manhã a comunicação dos importadores chineses. Salientaram para que não enviem mais barcos com óleo. E ainda disseram que a medida poderia se estender por vários meses.

A briga pelo óleo com a China teve início na última quinta-feira. Neste dia, Beijing tirou o pó de uma velha resolução de 2004, que impede o ingresso de óleos que tenham mais de 100 partes por milhão de um solvente chamado hexano, que é utilizado para extrair o óleo do grão de soja.

Os exportadores asseguram que o produto embarcado cumpre a norma. A gerente da Câmara da Indústria de Óleos (CIARA), Raquel Caminoa, disse ao Clarín: “Não é questão de qualidade e sim um impedimento alfandegário”.

Mas o governo argentino que, juntamente com a Ministra Giorgi decidiu impedir as importações made in China, sabia que alguma coisa podia acontecer.

O comércio com a China está equilibrado em torno de 6 bilhões de dólares em exportações e outros 6 bilhões de dólares em importações, que se reduziram nos últimos tempos.Assim, a missão urgente foi liderada pelo ex-secretário de Agricultura Carlos Cheppi e por Carlos Paz do Serviço de Sanidade (Senasa).

Desde que chegaram a Beijing começaram a trabalhar com Omar Odarda e alguns chineses. Até a noite não haviam obtido nenhuma resposta, de acordo com uma fonte diplomática.

Ernesto Fernández Tabaoda, da Câmara de Comércio com a China, insiste que é uma reação dos chineses aos seus elevados estoques de óleo.

O executivo acredita que essa barreira comercial que compromete umas 11 milhões de toneladas de soja (20 % da colheita) e negócios de 2 bilhões de dólares, não terminará em escândalo. Simplesmente porque 70% do óleo que Beijing compra vem da Argentina, onde existem 47 plantas azeiteiras e um pólo considerado o maior e mais eficiente do mundo.

No entanto, existem outros países que podem aproveitar o conflito. Os brasileiros já viram o filão de mercado e Carlos Lovatelli, da Associação das Indústrias de Óleos, disse que poderia favorecê-los “melhorando suas exportações em curto prazo”.

Entretanto, e por medo que a China recupere algumas vendas da Argentina, alguns setores resolveram proteger as medidas de restrição impulsionadas pelo Ministro da Produção.

Primeiro foram os têxteis, calçados e autopeças. Mas o apoio maior veio de Luis Betnaza, diretor da Techint e vice da UIA. Ele disse: “Apoiamos as medidas do governo para defender a produção e o trabalho nacional, entre elas as medidas antidumping contra produtos industriais provenientes da China”.

Clarin - Tradução Portal Agrolink

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