A colheita da soja está a todo o vapor em Goiás. O tempo ajudou e a safra superou as expectativas. O
29 de março de 2010

Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come. É mais ou menos assim a questão da substituição da gasolina por biocombustíveis. Em linhas gerais, deixa-se se usar um produto fadado a acabar um dia e que polui consideravelmente e, de outro lado, usa-se uma alternativa “verde”, mas que também pode impactar o solo (e a própria economia).

É justamente a substituição de 25% da gasolina utilizada no planeta por biocombustíveis – dos quais o mais cotado é o etanol de cana-de-açúcar – a preocupação dos pesquisadores no momento.


Especialistas em bioenergia apresentaram algumas conclusões a esse respeito nesta semana, em São Paulo, durante a realização da Convenção Latino-Americana do projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada na sede da Fapesp.

O principal desafio proposto pelo GSB consiste justamente em responder, consistentemente, se é possível substituir 25% do petróleo utilizado no setor de transportes por biocombustíveis, sem comprometer a produção de alimentos e os habitats naturais.

Para Roldolfo Quintero, professor da Universidade Autônoma Metropolitana (México), os questionamentos relacionados às mudanças no uso da terra provocadas pelo etanol – cuja produção poderia substituir o uso da terra para agricultura – são decorrentes unicamente do uso de milho para fabricação do biocombustível, na sua opinião. “Só o etanol de milho ameaça a agricultura e a segurança alimentar”, acredita.

Já André Meloni Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), a utilização de modelos econômicos é absolutamente necessária para avaliar de forma eficiente as mudanças de uso da terra que serão causadas pela futura produção em larga escala de biocombustíveis.

“A análise econômica é imprescindível para a análise da mudança do uso da terra, porque não é possível explicar as causas e efeitos dessas mudanças sem considerar as alterações dos preços dos produtos em questão. Por outro lado, é preciso dispor de dados locais para alimentar os modelos econométricos. Se usarmos dados genéricos de organizações internacionais teremos um número tão grande de hipóteses que dificilmente será possível estimar as mudanças no uso da terra”, afirmou.

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