Fusões e aquisições deixam setor da cana mais sólido, diz Jank
24 de março de 2010

Os acordos para fusões e aquisições entre usinas de cana ocorridos nos últimos meses, especialmente aqueles que envolveram empresas estrangeiras, deixaram o setor sucroalcooleiro do Brasil mais forte para enfrentar momentos de dificuldades como os registrados em 2009, avaliou Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

"A gente percebe que isso está gerando um setor mais sólido, com mais estrutura de capital e com maior capacidade de fazer frente às demandas", declarou Jank, durante seminário da F.O. Licht em São Paulo.

O presidente da Unica referiu-se em particular à entrada da Shell no segmento de açúcar e etanol, com a joint venture formada com a Cosan.

"A Shell seguiu a BP e a Petrobras, que já tinham participação no setor. Mas ela entrou com muito mais força, e inaugura a atuação de petroleiras na indústria de baixo carbono", disse.

De acordo com dados apresentados pela Unica no evento, na nova safra (2010/11) 22% das companhias terão capital estrangeiro, contra 7% em 2007/2008. Ao mesmo tempo, a produção está mais concentrada. Enquanto em 2004/2005 cinco empresas respondiam por 12% do volume produzido, em 2009/2010 a participação delas aumentou para 27%.

Jank citou exemplos de negociações como a Santelisa Vale, comprada pela Louis Dreyfus Commodities, a negociação da Moema, adquirida pela Bunge, além da aquisição da Brenco pela ETH.

Além desses, ele lembrou da compra de uma participação majoritária na Equipav pela indiana Shree Renuka, e também do avanço do Bertin no setor de biocombustíveis, com a negociação com a Infinity.

Com companhias mais fortes no setor, observou Jank, a indústria provavelmente ficará menos sujeita a enfrentar problemas como os gerados pela escassez de crédito durante a crise de 2009, quando muitas empresas foram levadas a vender etanol barato no mercado interno para tentar fazer caixa.

De qualquer forma, destacou Jank, o setor ainda é bastante pulverizado perto de outros.

Longo prazo

Para o presidente da Unica, o setor ainda tem grandes perspectivas de crescimento no futuro, seja pela maior demanda por açúcar vinda de países emergentes, seja pela maior utilização de biocombustíveis no mundo desenvolvido e no Brasil. "Pelo etanol, o grande aumento que se espera é pela frota flex [no Brasil], que ainda é de 40% do mercado", embora 90% dos carros novos já sejam flex.
 
/Agência Estado

DCI - Diário do Comércio & Indústria

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