A valorização no preço do algodão tem causado otimismo no setor produtivo de Mato Grosso. Durante a
24 de março de 2010

O destino de grande parte das safras de grãos do Mato Grosso ainda é o porto de Paranaguá, distante 1.781 quilômetros de Cuiabá. É descendo rumo ao terminal paranaense que a produção de soja e milho daquele Estado segue para o mercado internacional. No entanto, como o governo federal já anunciou que pretende concluir a pavimentação da histórica BR-163 até o final de 2011, as safras do norte matogrossense ganharão caminho inverso: o Porto de Santarém, no Pará.

Essa perspectiva anima municípios com forte potencial produtivo, como Lucas do Rio Verde, onde as vantagens para os produtores serão grandes. Em vez de canalizar a safra para Paranaguá, distante 2,2 mil quilômetros, a opção será Maridituba, na região de Santarém, a 1.150 quilômetros, cujo porto está situado na margem direita do Rio Tapajós, próximo à confluência com o Rio Amazonas e, portanto, em posição mais estratégica para atender aos mercados compradores.

Competitividade
A saída pelo Pará vai trazer economia de tempo e custos com transporte, mais renda para os produtores e, principalmente, maior competitividade para a agricultura do Mato Grosso, já o maior produtor nacional de soja e milho de segunda safra.

O prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino José Franz, um catarinense que migrou para aquela região em 1980, é categórico. Com o asfalto e o porto, que ainda vai precisar ser ampliado, a produção do norte do Mato Grosso terá um forte impulso. Segundo ele, projeções de especialistas apontam que essa mudança vai gerar uma economia de 30 a 35 dólares por tonelada de grãos até o destino final, o equivalente a 2 dólares para cada saca de soja ou milho. “Será bom para o Mato Grosso e, ao mesmo tempo, ruim para Paranaguá”, afirma o prefeito.

Já na safra 2011/12, Mato Grosso prevê que pelo menos 10 milhões de toneladas de soja subirão o trecho até Santarém. Se confirmado, o volume será 1.150% maior que o exportado atualmente por aquele terminal, ao redor de 800 mil toneladas. Considerando a projeção de safra para esta temporada, de pouco mais de 18,5 milhões de toneladas, Santarém estaria exportando 55% da produção total do grão matogrossense. “É uma questão de tempo”, garante o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja), Carlos Favaro.

O Diário Maringa
Autor: Rogério Recco

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