Depois de plantar, hora é de defender leilões em MT
22 de março de 2010

Safrinha de muita produção é o que está sinalizado no Estado. Para evitar os transtornos com armazenagem do grão, Aprosoja/MT se mobiliza em Brasília


Com expectativa de boa safra em 2010, o plantio do milho safrinha está praticamente finalizado, com mais de 90% da área semeada, em Mato Grosso, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com as chuvas que vêm ocorrendo na maioria das regiões produtoras, os solos apresentam boa umidade, com valores superiores a 85%, o que mantêm condições favoráveis ao crescimento e desenvolvimento das plantas que se encontram nas fases de desenvolvimento vegetativo e florescimento. Em Mato Grosso, a colheita do milho safrinha começa dentro de dois meses.

Segundo informações, as chuvas que ocorreram esta semana elevaram o nível de umidade do solo, proporcionando excelentes condições tanto para a germinação das sementes, quanto para o crescimento e desenvolvimento das plantas, uma vez que 80% das lavouras estão na fase de enchimento de grãos e 10% já na fase de florescimento. Até o momento, não é observada nenhuma anomalia climática que possa afetar o potencial produtivo das lavouras.

Em razão disso, Mato Grosso deverá confirmar liderança nacional na oferta do grão segunda safra, com previsão de colher 8,24 milhões de toneladas, conforme projeção do Imea.

“A nossa preocupação agora é com a realização dos leilões para evitar os problemas de armazenagem que tivemos no ano passado”, aponta o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira. No ano passado, mais de 2,5 milhões de toneladas de milho chegaram a ficar a céu aberto em Mato Grosso por falta de armazéns para estocar os grãos.

Este ano os produtores não querem que o episódio se repita. “Precisamos desde já programar os leilões de 2010”, frisa Silveira.

O objetivo do leilão é regular o mercado. “Se o governo federal deixar o mercado agir livremente, certamente haverá queda nos preços e o produtor vai perder. Com este instrumento de comercialização, o governo enxuga o mercado, sustentando preços mínimos ao produtor”, explica uma fonte da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

PREÇOS - A prática de manutenção dos preços do milho, que vem sendo implementada mais fortemente nos últimos dois anos, foi determinante para a alta no valor do grão entre os anos de 2003 e 2009, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com Carlos Eduardo Tavares, superintendente de Gestão da Oferta da estatal, os preços foram alterados devido ao alto custo com logística para transportar sacas de milho de Mato Grosso, até o Nordeste. "Aumentaram os preços com o objetivo de incentivar a produção em áreas como oeste da Bahia e sul do Maranhão, por exemplo. Por isso, tivemos um aumento significativo lá", afirma Tavares.

Atualmente, a média de preços no Nordeste é de R$ 20,10, enquanto há um ano e meio era de cerca de R$ 14. Entretanto, as opiniões, agora, são antagônicas quando o assunto é a diminuição do preço do milho em Mato Grosso, devido à atual desvalorização comercial do grão.

De um lado, O Ministério da Fazenda sinaliza ser a favor da diminuição para reequilibrar a oferta e demanda do produto e, de outro, o Ministério da Agricultura - juntamente com a Conab - se posicionam contra a redução. A política da Conab para o milho proveniente de Mato Grosso é de incentivo às exportações que, segundo Tavares, “vão muito bem no mercado internacional”.


Diário de Cuiabá
Autor: MARCONDES MACIEL

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