Es­ca­lo­nar ven­da di­mi­nui per­das na so­ja
22 de março de 2010

Safra recorde nacional e estoques mundiais altos refletem negativamente no preço da oleaginosa; valor pago pela saca de 60kg é até 28% inferior ao do ano passado

Mais uma vez o produtor deve usar do jogo de cintura para participar do mercado e comercializar a soja em patamares mais próximos do ideal. As condições atuais de comercialização comprovam as estimativas de preços bem abaixo dos praticados no ciclo anterior. Neste mês a saca de 60 quilos tem alcançado valor entre R$ 30,40 e R$ 31,00, cerca de 28% menor que o praticado no mesmo período do ano passado. Desta forma, como orientam consultores e técnicos, o melhor é vender somente a quantidade do produto necessária para manter fluxo de caixa e arcar com as despesas imediatas.

A safra 2009/10 é recorde, com mais de 67 milhões de toneladas é resultante de fatores climáticos favoráveis e de uma produtividade igualmente excepcional. A isso se acrescenta boa disponibilidade do produto no exterior, graças à produção mundial de praticamente 260 milhões de toneladas, 16% maior que o ano passado. Segundo Santo Pulcinelli, economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), Núcleo de Cornélio Procópio, os estoques mundiais atuais chegam a 54,77 milhões de toneladas.

""Os produtores estão satisfeitos com a colheita e registram produtividade de quase 3 mil quilos por hectare. Mas os preços são um balde de água fria e estão longe de atender suas expectativas e necessidades"", diz Pucinelli. No ano passado, segundo ele, a produtividade ficou em cerca de 2.400 quilos.

""Com a safra recorde os preços despencaram e hoje não cobrem o custo de produção, que é de R$ 34,94 a saca"", informa o técnico, que indica parcimônia na hora de vender o produto. De acordo com Pulcinelli, a melhor opção neste momento é guardar o produto para esperar reação do mercado.

O técnico afirma que os produtores que optaram por contratos futuros têm obtido melhor rentabilidade. Esta é a orientação do consultor Leonardo Menezes, da Céleres, de Uberlândia (MG), para fazer frente à dinâmica do mercado. Outra recomendação é realizar a venda escalonada. ""O produtor deve administrar sua produção e não pode, por exemplo, guardar a totalidade da colheita"", diz.

No mercado externo, a soja sofre efeitos da expectativa da produção e exportações norte-americanas. De acordo com Menezes, o bushel da soja deve ficar nos US$ 9,00 até pelo menos o final do mês quando os Estados Unidos divulgam o relatório da área plantada nesta safra.

A Bolsa de Chicago também se ressente da divulgação de informações de cancelamento de contratos de exportação dos EUA, divulgadas esta semana. ""Qualquer perspectiva de desaceleração da demanda provoca efeito negativo no mercado"", diz o consultor. Segundo Menezes, 38 milhões de toneladas de soja norte-americana foram negociadas no exterior.

Menezes avalia que internamente o preço deve seguir o primeiro semestre nos atuais patamares. Segundo ele, nos meses de junho e julho os preços podem sofrer os efeitos do ""mercado do clima"", fase em que as previsões climáticas para a safra norte-americana interferem na movimentação da Bolsa de Chicago.


Folha de Londrina

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