Prejuízos no transporte
22 de março de 2010

A cada nova safra, a cena se repete. Grãos que caem das carrocerias dos caminhões durante o transporte se acumulam na beiras das rodovias. Isto pode parecer inofensivo para muitos, mas representa um grande prejuízo na soma final da produção. O limite de perdas no transporte de soja aceito pelo mercado atualmente é de 0,25%, mas no Paraná estudos indicam que este percentual tem sido em média 0,10%.

Se este percentual for uniforme o transporte deixaria nas estradas da região de Campo Mourão aproximadamente 30 mil sacas do produto. Isso em comparação a estimativa de produção para esta safra que é de 1,78 milhão de toneladas. No preço atual, as perdas representam um prejuízo de cerca de R$ 915 mil. Vale lembrar que o limite aceito é de 0,25%. Com esse número, as perdas ganham dimensão bem maiores. São 74,1 mil sacas do produto, ou um prejuízo de cerca de R$ 2,3 milhões.

O transportador assume o prejuízo quando a perda ultrapassa o percentual aceito. O caminhoneiro Adilson Bueno Andrade, 42 anos, saiu com o caminhão carregado com 26,5 mil quilos de soja de Campo Mourão com destino a Goioerê. Ele comenta que a tolerância no caso dele é de uma saca de 60 quilos. “Se passar disso tenho que pagar do bolso. O problema é que é difícil uma balança bater com a outra”, assinala.

O chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab) de Campo Mourão, Erikson Camargo Chandoha, entende que os prejuízos são altos e são ocasionados principalmente pelas condições dos caminhões que fazem o transporte. “É preciso modernizar a frota de veículos, principalmente os que fazem trajetos longos. No transporte da propriedade para a cooperativa também existem perdas, mas a mais significante está mesmo no transporte para os portos”, pondera.

Chandoha lembra também que a soja derramada na beira das estradas pode germinar e ajudar a disseminar doenças, como a ferrugem asiática, por exemplo. “Esses prejuízos podem ser minimizados quando há um comprometimento de toda a cadeia produtiva da soja. É preciso qualificação de quem faz o transporte que é feito há vários da mesma maneira. É preciso mudanças rápidas”, ressalta.

Risco de acidente

Se para os agricultores isso representa prejuízo, para os usuários de rodovias pode significar riscos. Os motociclistas, por exemplo, ficam sujeitos a quedas, mas o volume de grãos depositados às margens de rodovias serve também como atrativo para animais. Para tentar eliminar o problema, a concessionária administra rodovias na região Noroeste, conta com equipes que fazem a varredura dos grãos. O gerente de operações da empresa, engenheiro Luciano Mendes, explica que em alguns pontos, como lombadas, trevos e curvas, há acúmulo maior de produção que, muitas vezes, fica sobre a pista. “Diariamente as nossas equipes de conservação trabalham nas rodovias fazendo também a limpeza das canaletas de águas pluviais onde há acumulo desses grãos”, diz.

Ao todo, 90 colaboradores do setor de conserva realizam esse serviço. Os pontos são identificados pela equipes de inspeção de tráfego, veículos que percorrem a média de 850 quilômetros diários cada, em sistema de ida e volta. “Além do perigo da soja espalhada pela pista, o fluxo de caminhões também é intenso nesta época do ano, o que exige mais cuidado e atenção por parte dos motoristas”, orienta Mendes.


Tribuna do Interior
Autor: Antonio Marcio

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