Importação de arroz do Mercosul obriga produtores a exportar
19 de março de 2010

O recorde nas exportações de arroz registrado em 2009, com o embarque de 894,41 mil toneladas, revela uma situação inusitada para esse crescimento de 13,2% em relação à safra 2008/09. O País, praticamente, exportou o mesmo volume que importou de países do Mercosul, como Argentina e Uruguai.

O arroz do Mercosul entra no Brasil sem tarifação, resultado de acordos comerciais assinados na década de 90. O fato é prejudicial para o produtor nacional, já que o arroz importado é produzido com menor custo e não sofre os efeitos do custo Brasil, além de uma alta tributação.

"Uma das saídas encontradas pelo setor foi a exportação. Até quatro anos atrás o Brasil exportava 50 mil toneladas por ano e em 2009 chegamos a enviar 900 mil toneladas. Temos um arroz de qualidade e alta produtividade. A ideia agora é pleitear com o governo uma espécie de "Reintegro", um reembolso de tributos para quem exporta, como já ocorre em outros países, como Argentina e Uruguai", observa Walter Arns, presidente da Associação dos Arrozeiros de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

Para Marco Aurélio Tavares, vice-presidente de mercado da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul), a questão fundamental para o aumento nas exportações foi a qualidade do arroz e a logística, com a disponibilidade de quatro terminais de embarque do Porto de Rio Grande.

"Geograficamente temos um melhor acesso para os países da UE (União Europeia) e o continente africano. Além disso, só temos a Tailândia como concorrente no fornecimento de arroz parboilizado, responsável por 64% dos nossos embarques. Na África, nossos principais compradores são Senegal, Nigéria, África do Sul e Benim, que juntos, compram 5 milhões de toneladas do grão", conta Tavares.

Quebra na produção

Apesar dos resultados positivos obtidos com as exportações em 2009, a previsão de embarques para 2010 não é tão animadora. A quebra na safra gaúcha, principal região produtora no País é estimada em quase um milhão de toneladas, segundo estudos da CONAB (COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO) e a queda dos preços no mercado internacional, onde analistas apontam a cotação do grão entre US$ 500,00 a US$ 550,00 a tonelada.

"Com a quebra na produção, fatalmente teremos um impacto nas exportações. Também enfrentamos problemas cambiais, já que o dólar estabilizou em R$ 1,76 e o mercado esperava que alcançasse R$ 1,90. Com a divulgação da safra da Índia, que não foi tão desastrosa, a expectativa de cotação da tonelada a US$ 600,00 a US$ 700,00 caiu para US$ 500,00 e US$ 600,00. Além disso a CONAB sinalizou a necessidade de importar 1,2 milhões de toneladas de arroz", comenta o vice-presidente de mercado da Federarroz .

Retrato

O município de Uruguaiana, no extremo Sudoeste do Rio Grande do Sul, é o maior produtor de arroz do Brasil. Com produção de 1,6 milhões de toneladas colhidas na safra 2008/09 e um área de plantio de 100 mil hectares, a região registra um decréscimo de 10% em sua área de plantio e uma redução de 10% a 15% na produtividade, em função do fenômeno climático El Nino, que aumentou a incidência de chuvas durante o ciclo da cultura.

"Nossa produção média foi de oito mil quilos por hectare na última safra e hoje a saca está sendo comercializada entre R$ 26,00 e R$ 27,00, o que não paga o custo de produção, estimado em R$ 30,00 a saca. Se um produtor fosse vender toda sua produção hoje, ficaria no vermelho. Esperamos que o mercado reaja nos próximos dias, com a divulgação dos novos números da quebra da produção", diz Arns.

Segundo especialistas, o preço ideal para a comercialização da saca de arroz é de R$ 35,00, embora muitos produtores calculem que a saca deveria ser comercializada por R$ 40,00. Diante dos primeiros números divulgados da colheita de arroz, a tendência é que os preços da saca sejam estabilizados a R$ 33,00, ou seja, uma valorização 10% maior que a média registrada na safra 2008/09.

Campo News

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