Produtores amargam prejuízos no CE
17 de março de 2010

Iguatu. A primeira quinzena de março terminou e as chuvas tão esperadas pelos agricultores ainda não chegaram. No campo, a seca castiga o plantio feito em meados de fevereiro passado. Na região Centro-Sul do Estado, o cultivo de sequeiro de milho e feijão está morrendo. A terra está seca e as folhas da lavoura murchando. O clima é de tristeza entre os produtores rurais que amargam prejuízo.

Na região dos Inhamuns e no Sertão de Crateús sequer houve plantio porque não chove há mais de 45 dias. Os agricultores ainda mantêm a esperança de que o inverno comece após a celebração do dia dedicado a São José, próximo 19. O produtor Antônio Ferreira Lima plantou há um mês dois hectares de milho na localidade de Cascudo, zona rural do município de Icó, e disse que metade da plantação já está perdida. "Estou esperando somente chuva, que não vem", disse. "A terra está seca e o milho está morrendo".

Em Juazeiro do Norte, continuam disponíveis sementes do Programa Hora de Plantar, do Governo do Estado, em alguns armazéns da região. De acordo com o gerente regional da Ematerce, Adonias Sobreira, locais das cidades de Missão Velha, Santana do Cariri, Juazeiro do Norte, Crato, os produtores levaram sementes, no entanto, há estoque maior em alguns deles. Em Jardim, município onde praticamente não choveu, o estoque é maior.

Mesmo sem tantas perspectivas quanto a um bom inverno, o gerente admite que o momento é aguardar o equinócio, também período de comemoração do Dia de São José. Mesmo assim, o ciclo de chuvas será pequeno, dando para aproveitar somente pequena produtividade de plantios curtos, como de milho e feijão.

"A distribuição de sementes selecionadas da Ematerce no Sertão Central deve continuar", informou o gerente do escritório de Quixadá, engenheiro agrônomo Moacir da Silva. Como ainda não choveu, a procura tem sido pouca. Mesmo assim, alguns preferem ficar com o material estocado. Se o inverno não chegar devem guardar. Mas há quem prefira usar como alimento. O feijão vai para a panela e o milho para os bichos.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Quixadá (STTRQ), Eronilton Buriti, pelo menos 40% dos lavradores habituados com os cultivos de sequeiro, de feijão e de milho, apostaram nas chuvas de janeiro. Utilizaram sementes estocadas nos tambores, da colheita do ano passado. A situação é praticamente a mesma nos demais municípios da região. Quem insistiu perdeu tudo. Mesmo assim, continuam aguardando o início da quadra invernosa.

Haroldo da Silva Pereira, trabalhador rural de Juá, é um deles. Resolveu plantar 4ha de feijão e de milho no começo de janeiro. Insistiu em fevereiro. O prejuízo só não foi maior porque a plantação atrofiada está servindo de alimento para o gado. Por conta da perda, está preocupado. Caso não chova até o fim deste mês, o jeito vai ser recorrer ao Governo. Além do carro-pipa, quem da terra vive, vai precisar de cestas de alimentos e da antecipação do pagamento do Garantia Safra.


Diário do Nordeste

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