Renda agrícola aumenta 57,7%
12 de setembro de 2008

A renda bruta das lavouras de Mato Grosso em 2008 somará R$ 22,550 bilhões. A projeção é 57,7% maior que o montante registrado no ano passado, quando a receita totalizou R$ 14,311 bilhões.

O aumento no valor arrecadado com a venda dos produtos, em que ainda não estão embutidos os custos da produção é, na opinião de representantes de entidades do setor, motivada pelo aumento no preço das commodities agrícolas a partir do final do ano passado. Apesar deste fator positivo, a avaliação dos produtores é que os números não refletem a realidade mato-grossense.

Os dados sobre a renda agrícola brasileira são acompanhados mensalmente pela Assessoria de Gestão Estratégica (AGE), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Para a produção nacional, a estimativa é que a receita com a venda dos produtos contabilize a cifra de R$ 160,558 bilhões, incremento de 16,1% sobre o volume de 2007, que registrou R$ 138,234 bilhões.

Para chegar à renda agrícola é calculado o Valor Bruto da Produção que abrange os 20 principais produtos, entre eles, soja, milho, algodão, cana-de-açúcar entre outros. Na equação é multiplicado a quantidade produzida pelo preço pago aos agricultores, cujo resultado é a renda agrícola.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, é fácil falar em renda bruta, mas tem que se atentar para o lucro que o produtor vai ter com a venda deste produto, pois nos cálculos do governo não estão incluídas as despesas com a produção.

"Se o preço das commodities aumentaram gerando mais renda aos produtores tem de se levar em consideração também que os custos cresceram na mesma ou até mesmo superior ao percentual de elevação", considera o presidente ao acrescentar que quando se aumenta a renda, não quer dizer, exatamente que o ganho do produtor cresceu.

Carro-chefe na produção e nas exportações mato-grossenses, a soja abocanha 51,9% do montante estimado para o total da renda local, ficando com R$ 11,706 bilhões.

Na comparação com o número obtido no ano passado, quando a oleaginosa somou 7,996 bilhões, o incremento é de 46,3%.

Apesar das boas perspectivas traçadas pelo ministério, o presidente da Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira da Silva rebate os números dizendo que, usando como fator de cálculo a média de produtividade, o preço pago pelo grão e a área plantada, o valor projetado de renda bruta para a cultura local é de R$ 7,7 bilhões, levando-se em consideração os custos estimados em R$ 6,6 bilhões.

"Destes R$ 1,1 bilhão que sobram, o produtor ainda tem que pagar dívida, fazer investimento a próxima safra, manutenção das máquinas e equipamentos e outras tantas despesas", diz ao acrescentar que para a safra 2008/2009 a projeção da renda (com o preço anterior) era de R$ 10,2 bilhões ante um custo de R$ 7,740 bilhões, porém com a redução no preço da saca de soja, os números terão de ser revistos.

A cultura de arroz apresentou uma alta de 23,3% na renda deste ano. Em 2008 ela deve fechar em R$ 403,610 milhões contra R$ 327,521 milhões. O presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de Mato Grosso (Sindarroz), Joel Gonçalves Filho, considera que isso pode ser explicado pela elevação no preço do produto.
 

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