Café, milho, arroz e soja influenciam PIB
12 de setembro de 2008

Café, milho, arroz e soja foram destaques na alta da agropecuária, de 7,1% no segundo trimestre em relação ao mesmo período e as quatro culturas têm safra importante também no segundo semestre, observou a gerente de Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis.

Ela citou dados da pesquisa de safra do IBGE que indicam para este ano aumentos de 27,7% na produção nacional de café, de 12,8% na de milho, de 9,6% para arroz e de 3,6% na de soja. Rebeca comentou que café e milho tiveram ganhos de produtividade importantes, que são considerados na pesquisa do PIB.

O pesquisador Celso Vegro, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, disse que "a produção de café este ano é a segunda maior de todos os tempos", o que explica a boa participação do produto na elevação do PIB da agropecuária.

Na segunda-feira, o IBGE anunciou que a safra brasileira de café em 2008 deverá alcançar cerca de 46,33 milhões de sacas de 60 kg, representando elevação de 28% sobre o ano anterior. O resultado é recorde histórico, só inferior à safra de 2002, quando a colheita foi de 48,5 milhões de sacas.

O pesquisador pondera, no entanto, que a produção de café, em particular da variedade arábica, que representa cerca de 75% do total nacional, é caracterizada pela bienalidade, ou seja, grandes colheitas se alternam com safras menores a cada ano. A safra de 2008 é volumosa, mas deverá ser menor no ano que vem.

Apesar disso, Vegro considera que a pesquisa brasileira com café tem permitido "uma revolução tecnológica no campo". "A produtividade do café cresce 1 saca de 60 kg a cada três safras, o que é extraordinário, sem comparação no mundo", comenta.

Ele observa, ainda, que todo produto econômico está sujeito a ciclos. Com o aumento da produção de café, há uma tendência de encolhimento da margem de rentabilidade do setor produtivo, "que se desloca para a ponta do varejo". No entanto, com a crise global de oferta de alimentos, a agricultura brasileira tem a oportunidade de deixar de subsidiar o crescimento econômico, para virar setor de sustentação do crescimento, "pois a agricultura sempre responde a estímulos de preços".
 
Agência Estado

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