Centro-sul do estado do Rio pode voltar a cultivar café
10 de março de 2010

O centro-sul fluminense, que foi o ponto de partida das grandes plantações de café no Brasil no tempo do Império, poderá voltar a cultivar o grão que, durante quase um século, se constituiu a principal riqueza do país. Os primeiros embarques de café para o exterior datam de 1779, totalizando 79 arrobas, ou o equivalente a 1.185 quilos. Já em 1806, as exportações atingiram o volume significativo de 80 mil arrobas, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).

Para estimular o plantio do grão no Rio de Janeiro, pesquisadores da Embrapa Solos estão realizando o zoneamento do café para o estado, buscando identificar as áreas com menor risco de perda de produção. Segundo o pesquisador Alexandre Ortega, da Embrapa Solos, responsável pela parte do trabalho relacionada ao clima, a ideia é “minimizar o risco e maximizar o sucesso”.

Os resultados preliminares do trabalho, que procura aperfeiçoar estudo anterior elaborado em 2000 pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro), deverão ser divulgados em julho. A conclusão do zoneamento deve ocorrer até o fim deste ano.

O pesquisador Waldir de Carvalho, um dos executores do projeto, disse que há um potencial grande a ser explorado no estado para o cultivo do café pelos pequenos e médios produtores. Destacou, entretanto, que “a potencialidade está nas terras que hoje são usadas para pastagens”.

Atualmente, as regiões serrana e noroeste fluminense, com destaque para os municípios de Bom Jardim e Varre Sai, respectivamente, são as que mais produzem café no estado. “Em Varre Sai, 85% da renda do município vêm da cadeia do café”, informou Carvalho.

O zoneamento faz parte do Programa Mais Alimentos, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que tem o objetivo de estimular o plantio de alimentos pelo pequeno produtor rural, incluindo o agricultor familiar. Ortega acrescentou que a ideia é fomentar novos plantios no Rio de Janeiro e tornar mais competitivos aqueles que já estão implantados.

A variedade de café mais encontrada no estado é a arábica. Seu plantio está relacionado à questão do clima. “É um café de altitude, ou seja, lugares com temperatura mais amena e precipitação mais distribuída ao longo do ano”, disse Ortega. O pesquisador observou, porém, que a revitalização da cultura do café no Rio depende de políticas públicas, incentivos, financiamento e crédito, entre outros fatores.

Agência Brasil
Autor: Alana Gandra

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